"Não acho reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado"

Fundador do PS, Arons de Carvalho defende que o partido não deve discutir os casos de Sócrates e Manuel Pinho

Um dos fundadores do PS, Arons de Carvalho, defende que o partido não deve pronunciar-se sobre os casos de José Sócrates e Manuel Pinho, ao contrário do que defende a eurodeputada Ana Gomes. "O PS deve aguardar serenamente aquilo que a justiça vai dizer", disse em entrevista ao jornal i.

De acordo com o mandatário nacional à candidatura de António Costa ao cargo de secretário-geral do PS, Ana Gomes "já condenou as pessoas" quando pediu uma reflexão aos socialistas sobre os casos que estão na justiça e que envolvem Sócrates e Manuel Pinho. "Já se antecipou à justiça e fez justiça pela própria palavra", disse. "A posição de Ana Gomes é um erro colossal", considerou.

"Não acho que seja reprovável uma pessoa viver com dinheiro emprestado de outra. Não é por isso que as coisas estão erradas, mas penso que as pessoas só se deviam pronunciar quando os casos estivessem julgados", afirmou, referindo-se ao antigo primeiro-ministro, arguido na Operação Marquês.

Achei que o PCP e o Bloco de Esquerda iam puxar o tapete ao PS

"Quer o Manuel Pinho, quer o José Sócrates, não foram ainda condenados. Temos de esperar sem intervir e sem comentar", sublinhou Arons de Carvalho, que elogiou a postura de António Costa na gestão destes processos.

Recordo-me que quando vi as primeiras intervenções públicas do ministro Mário Centeno pensei: não tem aptidão, não sabe falar em público

Na entrevista ao jornal i, Arons de Carvalho admitiu que, no início, não acreditou que fosse "viável" a atual solução governativa, com o executivo do PS a ter o apoio dos partidos de esquerda, conhecida como geringonça. "Na altura vi as diligências com o PCP e o Bloco de Esquerda com grande ceticismo. (...) Pensei que ela não tinha futuro. Achei que o PC e o Bloco de Esquerda iam puxar o tapete ao PS", afirmou.

Sobre o responsável pela pasta das Finanças também revelou algum ceticismo no início. "Recordo-me que quando vi as primeiras intervenções públicas do ministro Mário Centeno pensei: este fulano, que não conhecia de lado nenhum, não tem aptidão, não sabe falar em público. A verdade é que ele rapidamente conseguiu adaptar-se (...)".

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