Matemática: notas acima da média num terço das escolas carenciadas

Comparação dos resultados do PISA mostra que escolas superam expectativas graças a professores motivados e atividades extra

As condições socioeconómicas das famílias são um dos fatores que mais determinam o sucesso escolar dos alunos. Mas há escolas que conseguem contrariar esta tendência: 34% das escolas portuguesas em contextos desfavorecidos tiveram resultados acima da média da OCDE. E como conseguiram isso? Com professores motivados e valorizados e oferecendo atividades extracurriculares. As conclusões são do estudo apresentado ontem "O que faz uma boa escola?", da autoria do projeto Aqeduto, uma parceira entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Numa análise à organização e recursos existentes nas escolas, e tendo em conta os resultados dos alunos de 15 anos nos testes PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, em português), os autores do estudo quiseram perceber o que distingue umas escolas das outras. Ao que tudo indica, o tamanho das turmas não é significativo para os resultados e metade das escolas queixam-se da falta de instalações, material pedagógico e salas.

Entre as escolas analisadas, 80% estavam inseridas em ambientes de baixo estatuto socioeconómico e cultural. Destas, 34% conseguiam ter classificações acima da média da OCDE. Enquanto 46% registavam resultados abaixo da média, o que sugere que estas "se moldavam à sua envolvente e não estimulavam os alunos a ser melhores do que o esperado", aponta o estudo.

Do lado oposto, onde os resultados superam as expectativas, os diretores dessas escolas acreditam que isso resulta "de professores motivados e valorizados pela direção e da oferta de atividades extracurriculares", mas também de "infraestruturas e recursos satisfatórios e autonomia na gestão do orçamento".

Enquanto as escolas abaixo da média têm tendência a "chumbar mais alunos e criar turmas de nível a Matemática". Medidas que os autores da análise sublinham não serem "por si só prejudiciais", mas que "estão a ser menos conseguidas no contexto em que se inserem".

Mais aulas de Matemática

Portugal foi o país que aumentou mais o número de horas de ensino da Matemática entre 2003 e 2012. Passámos a ter quase cinco horas por semana, quando antes eram três. A prática nos restantes países foi manter as três horas semanais. No entanto, esta pode ser a explicação para a melhoria do desempenho dos alunos nesta matéria nos testes PISA entre 2003 e 2013, adianta a investigação. Neste período os scores PISA Matemática aumentaram cerca de 20 pontos.

Já em relação ao tamanho das turmas, que também foi analisado, a conclusão é de que estas não estão diretamente ligadas ao sucesso dos alunos. Exemplo disso são os resultados da Holanda, que conseguiu 523 pontos no PISA (a média é 500) e em que as turmas têm em média 25 alunos. Ao mesmo tempo em que o Luxemburgo - onde as turmas são de 21 alunos - registou 490 pontos.

Na Europa, em 2012, as turmas oscilavam entre os 18 alunos na Finlândia e 27 em França (que era o único país com turmas com mais de 25 elementos). Em Portugal, a média era de 22 alunos, embora a legislação permitisse que se chegasse aos 28.

Falta material e aquecimento

Tanto as escolas com bons resultados como aquelas com resultados abaixo da média reportaram ter falta de computadores, internet e software nas salas de aula. Da mesma maneira dizem ter falta de instalações, aquecimento e materiais de apoio, embora estas críticas sejam mais comuns às escolas com resultados mais baixos (50% reportas estas falhas).

É também entre as escolas com resultados mais baixos que mais prevalece a queixa de falta de salas. Já as escolas com melhores resultados têm mais equipamento de laboratório e materiais de biblioteca. E mesmo as escolas de contextos desfavorecidos que superam as expectativas dos resultados se queixam de falta de computadores e software nas salas.

Apesar de se queixarem de falta de tecnologia nas salas, a verdade é que Portugal está no grupo de países em que esta está mais disponível, o que acontece é que estes não estão a ser utilizados da melhor forma, indica o estudo. A Dinamarca era o país com mais tecnologia e que a utilizava no seu potencial máximo.

Outro ponto em que todas as escolas estão de acordo é que não faltam professores. Apenas 3% referiram esse facto.

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