Hugo Soares vai esperar para perceber se Rio conta com ele

Aumenta a pressão para que o presidente da bancada ponha o lugar à disposição do novo líder. Rui Rio ainda não deu sinais do que quer fazer. Hugo Soares apoiou Santana Lopes.

A pressão para que o líder parlamentar do PSD, que apoiou Santana Lopes nas eleições diretas do partido, coloque o lugar à disposição de Rui Rio está a aumentar. Mas Hugo Soares deverá esperar pela conversa com o novo líder social-democrata, dentro de duas semanas, para perceber se o presidente eleito conta com ele.

Apesar de Rui Rio estar incontactável durante os próximos dias, o DN apurou junto de fontes que lhe são próximas que este ainda não é um tema que esteja disposto a resolver no imediato. O novo presidente do PSD estará mais preocupado em constituir uma equipa próxima e só depois irá à frente do partido no Parlamento.

O que não impede que, como é habitual em momentos de mudança de liderança, que as peças comecem a movimentar-se no partido e que a tensão aumente na bancada parlamentar.

Marques Mendes foi o primeiro a defender, no domingo na SIC, que o presidente da bancada social-democrata devia pôr o cargo à consideração do presidente do PSD. Ontem, Manuela Ferreira Leite, apoiante de primeira hora de Rui Rio, verbalizou o mesmo em entrevista à TSF. "Há determinados lugares ou funções" como o de presidente da bancada parlamentar que "evidentemente" devem, "à mudança de líder, implicar pôr o lugar à disposição", disse a antiga líder social-democrata.

Fontes próximas de Rui Rio mostraram-se surpreendidas com a "atitude" de Hugo Soares - que lidera a concelhia de Braga, onde Rui Rio ganhou -, já que esperavam que, com a mudança de liderança, o líder parlamentar desse sinais de que está disponível para deixar o cargo. E até sinalizam que há vice-presidentes da bancada, como Sérgio Azevedo e Amadeu Albergaria, apoiantes de Santana Lopes, que já colocaram o lugar à disposição do novo líder.

Do lado dos deputados mais próximos de Hugo Soares há quem lembre, no entanto, que o presidente do grupo parlamentar foi eleito há pouco tempo e com 80% dos votos. "Esta era uma boa ocasião de o presidente do partido mostrar que quer unir, mantendo um líder da bancada que foi aprovado pela esmagadora maioria dos deputados", diz um deputado do PSD. Mas também recorda que Hugo Soares disse antes das diretas que não há líderes de bancada contra a vontade do presidente do partido.

As mesmas fontes lembram que ainda falta um mês para o congresso do PSD, que se realiza entre 16 e 18 de fevereiro - altura em que Rio substitui formalmente Pedro Passos Coelho e são eleitos os órgãos nacionais do partido -, e que uma eventual demissão de Hugo Soares fragilizaria a bancada social-democrata no confronto com o governo.

E, embora Rui Rio ainda não tenha dado indicações do que pretende no grupo parlamentar, já há nomes que colhem favoritismo entre os seus apoiantes. Entre eles o de Luís Marques Guedes, ex-ministro da Presidência e que foi líder parlamentar de Manuela Ferreira Leite, o do ex-secretário de Estado António Leitão Amaro ou ainda o de José Matos Correia, um dos barrosistas que Pedro Passos Coelho integrou na direção do PSD.

Mas também há quem coloque a hipótese, caso Hugo Soares não se mantenha mesmo no cargo, que Rui Rio venha a escolher um apoiante de Santana como Fernando Negrão para promover a unidade da bancada. Já consideram mais remota a possibilidade de Feliciano Barreiras Duarte, que esteve com Rio desde a primeira hora, vir a protagonizar uma candidatura à presidência do grupo parlamentar. "Não conseguirá a maioria do apoio da bancada, o que seria muito mau para começar a promover a tal unidade do partido", avisa um deputado social-democrata.

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