Greve: Maiores escolas de Braga "arrancaram pela metade"

A greve dos professores marcada para esta quarta-feira fez duas das maiores escolas de Braga "arrancar pela metade", com alunos a ter aulas "com toda a normalidade" e outros a festejar o "feriado a meio da semana".

Em declarações à Lusa, fonte do agrupamento Carlos Amarante, Hortense Santos, explicou que há aulas a decorrer, mas que cerca de metade das salas estão vazias por falta do professor e à porta da escola os alunos fazem a contabilidade de quem "teve sorte ou azar".

Na Escola Secundária D. Maria II, o cenário é idêntico, segundo disse à Lusa fonte naquele estabelecimento de ensino, "faltaram alguns professores," mas há aulas a decorrer normalmente.

"Arrancou pela metade. Ainda estamos a contar, a escola é grande, mas para já está meio/meio", afirmou a fonte na Carlos Amarante.

Na D. Maria II "há aulas a decorrer com toda a normalidade" embora "alguns professores tenham aderido à greve, ainda não dá para adiantar números porque ainda é cedo para essa contabilização".

À porta da Carlos Amarante fazem-se também outras contas: "Quantos há para o torneio?", é a questão lançada por um grupo de alunos que vai aproveitar a falta de aulas para se dedicar a jogos de consola.

"Estamos a ver quem teve sorte e quem teve azar para vermos quantos estamos para fazer um torneio de futebol", explicou prontamente um dos estudantes.

"Isto de ter feriados a meio da semana é fixe, serve para descansar. O pior é que depois os 'profs' vão querer dar a manteria a correr porque já é o segundo furo por greves este período", lembrou outra aluna.

Mas se a greve dos professores parece não incomodar muito os alunos, os encarregados de educação começam a "não achar piada à brincadeira", embora entendam os motivos.

"Eu até entendo porque fazem greve, além de que é um direito que os trabalhadores têm. Mas já começo a não achar piada à brincadeira de não ter onde deixar os miúdos", explicou Sónia Campos, mãe de duas alunas de 13 e 12 anos.

Os professores cumprem hoje uma jornada de luta contra a não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida na quarta-feira no parlamento.

A proposta de OE2018 prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007, nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.

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