Costa reitera confiança em Centeno. "Em circunstância alguma sairá"

O primeiro-ministro reagiu às notícias dando conta que o ministro das Finanças poderia demitir-se na sequência das investigações sobre a oferta de bilhetes do Benfica

António Costa afirmou esta tarde que mantém e manterá toda a confiança no ministro das Finanças, Mário Centeno, mesmo que este venha a ser constituído arguido no caso dos bilhetes para ver o Benfica.

"Mantenho toda a confiança no ministro das Finanças e em circunstância alguma sairá do Governo", afirmou o primeiro-ministro, falando aos jornalistas à margem das cerimónias fúnebres do histórico socialista Edmundo Pedro.

Em causa estão as notícias divulgadas esta segunda-feira dando conta que, na sequência das investigações ao Ministério das Finanças por suspeitas de um eventual recebimento indevido de vantagem, Mário Centeno poderia ser constituído arguido e, nesse caso, apresentaria demissão do cargo.

Esta tarde, o primeiro-ministro fez questão de dizer que "ninguém está acima da lei", mas reforçou: "Quem decide a composição do Governo sou eu e mantenho toda a confiança" em Mário Centeno.

"O professor Mário Centeno é uma pessoa de enorme dignidade e seriedade que tem prestado serviços de grande relevância para o país em quem mantenho toda a confiança e que em circunstância alguma sairá do Governo", afirmou António Costa.

Em causa na investigação estarão idas ao Estádio da Luz de Mário Centeno e a alegada intervenção em processos de isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) por parte de um filho do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a existência de diligências "para recolha documental", num inquérito que "não tem arguidos constituídos e está em segredo de justiça".

Confrontado com os casos de secretários de Estado que abandonaram o Governo por casos ligados à seleção nacional de futebol, Costa adiantou que os mesmos o fizeram, "a seu pedido, para serem constituídos arguidos e gozarem da liberdade suficiente para exercerem os seus direitos".

"Fundamental é continuar a governar bem, a apresentar resultados com os quais nos temos comprometido, que têm permitido o maior crescimento económico desde o início do século, o menor défice desde o início da democracia, uma redução muito sustentada do desemprego e o aumento do investimento privado e da confiança e do clima económico", destacou, sublinhando o "contributo essencial" de Centeno.

Já sobre eventuais aumentos salariais da função pública em 2019, António Costa precisou que "falta um ano para chegar ao próximo" e há "muito tempo para ver o que acontece" e "executar o Orçamento [do Estado] que está a ser executado", vincando o que está a ser feito em matéria de descongelamento de carreiras, numa "reposição gradual dos vencimentos" desde 2017 e que vai continuar em 2018 e 2019. Com Lusa

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