"Está nas nossas ambições lançar um pequeno satélite"

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, fala ao DN sobre o posicionamento estratégico de Portugal no Atlântico

Como nasceu o Centro de Investigação Internacional dos Açores (AIR Center, em inglês)?

A ideia resulta de uma reflexão, com alguns anos, sobre o posicionamento único e estratégico de Portugal no Atlântico e em relação ao que os Açores hoje representam como laboratório natural. Hoje, com a rede de investigação sobre ciências do mar e a interação com o espaço, temos capacidade científica e tecnológica nessas áreas. Pensei que podíamos abrir um processo negocial com os EUA, depois com a Europa, o Brasil e agora África, que reforçasse a rede de investigação entre países de base atlântica e usando os Açores como base. Hoje o acesso ao espaço é possível... é possível lançar um pequeno satélite e está nas nossas ambições, conjugando a capacidade científica e as novas oportunidades de acesso ao espaço.

Em que ponto está a implantação do projeto?

Comprometemo-nos até ao final do ano a ter uma agenda, para depois negociar a convenção internacional que resulte num instituto, no envolvimento ativo de pessoas e instituições. Os Açores são um laboratório natural e com uma localização única para acesso ao mar profundo. A ideia é juntar e articular iniciativas que possam ter como base essa posição estratégica. Hoje a ciência faz-se em rede... é preciso uma rede de diferentes instituições e com investigadores noutras partes do mundo. A coleção dos dados recolhidos e as experiências têm de ser feitas nos Açores, mas a ideia é tentar articular, reunir e mobilizar atores em vários pontos do mundo.

O AIR Center é uma solução para o futuro da Base das Lajes, dada a forte redução da presença militar dos EUA?

Este projeto não pode ser visto nessa ótica. Obviamente que ajuda, que contribui, mas há uma agenda científica em curso. O AIR Center poderá valorizar essa grande infraestrutura aeroportuária, mas o projeto tem vida própria e é isto que foi sempre discutido com o governo norte-americano e com as suas instituições de ciência, do clima.

O centro espacial é para ficar nas Lajes ou em Santa Maria?

Vamos aproveitar as infraestruturas existentes. Hoje já temos um centro de observação para o clima na Graciosa, há uma antena da Agência Espacial Europeia [ESA] em Santa Maria, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia é proprietária de uma nova antena que será instalada até ao princípio de 2017 também em Santa Maria... A ideia é ter várias infraestruturas em diferentes locais e usar essa rede diversificada. Criar um centro é criar uma rede de infraestruturas e trabalhar em rede com outros centros. Tudo o que é feito para o espaço é num horizonte de 15 a 20 anos, tem de haver estudos, financiamentos... não podemos estar a antecipar nem criar expectativas sobre isso, ainda não há decisões.

O AIR Center também pode favorecer uma indústria de lançadores e de satélites?

Quinze anos após entrarmos na ESA, hoje já existe uma indústria nacional na área do software com empresas maiores ou menores, portuguesas ou com participação portuguesa e espanhola. Temos experiência nisso, como temos institutos de engenharia e de astrofísica. A ideia é juntar todos e alavancar estas instituições, potenciando novas atividades empresariais e a criação de empregos de base tecnológica.

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