"É muito frequente o aparecimento de novas substâncias psicoativas"

Laboratório de Polícia Científica da Judiciária tem um papel central na descoberta de novas drogas

O Laboratório de Polícia Científica (LPC) da Judiciária mantém, desde 2013, um papel central na detecção de novas drogas. Algo que, segundo o seu diretor, Carlos Farinha, "é frequente, porque trata-se de um mercado global, impulsionado pela Internet e redes sociais".

Atualmente, o LPC trabalha conjuntamente com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e com a Faculdade de Farmácia da Universidade Porto, mais o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), no estudo de novas substâncias que vão inundando o mercado, as quais tanto podem ser classificadas como "psicoativas" - e a sua comercialização está sujeita a contraordenações - ou droga no sentido clássico e aqui já se trata de crime. "Foram encontradas sinergias positivas, que permitem dar respostas com grande qualidade científica", declarou Carlos Farinha.

"As universidades trazem uma análise mais precisa e feita com mais tempo das substâncias, da sua composição em concreto", disse Carlos Farinha, acrescentando que o trabalho do INML prende-se mais com os "efeitos" das substâncias nas pessoas.

Este trabalho a "quatro mãos" já permitiu, por exemplo, identificar em Portugal novas substâncias desconhecidas do resto dos países. Até porque, como explicou Carlos Farinha, a criatividade no mercado não pára de supreender, existindo substâncias "que até têm um uso lícito, quando integradas em fertilizantes ou tintas", mas o "consumo direto das mesmas é preocupante" para a saúde.

E também preocupante é o facto de, como já o Relatório Anual de Segurança Interna (2015) referiu, comércio deste tipo de substâncias estar a adquirir padrões de profissionalismo: segundo o documento, há grupo internacionais a dedicar-se a esta área de negócio entregando "via postal" as encomendas aos consumidores.

Em declarações ao DN, João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), antigo Instituto da Droga e Toxicodependência, adiantou que este organismo tem apostado muito na prevenção do consumo de substâncias psicoativas: "Em 2015 as Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência apostaram na dinamização de ações de informação preventiva, tendo sido realizadas 107 ações de formação: 30 de informação específica dirigidas a indiciados com consumos de baixo risco, sobre consequências e efeitos do consumo de substâncias psicoativas e 77 ações formativas a grupos alvo específicos (em agrupamentos de escolas, em meio universitário, em meio prisional, em resposta a pedidos de IPSS, entre outros". O SICAD também colaborou em ações de prevenção com a PSP e GNR.

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