Num debate com prendas de Natal, as críticas duras vieram da esquerda

Debate quinzenal acabou marcado pela questão do salário mínimo nacional, com as críticas da esquerda à "moeda de troca" que será uma eventual baixa da taxa social única das empresas.

BE e PCP deixaram fortes reparos a essa medida, mas seria Heloísa Apolónia a deixar a acusação mais forte. Se acontecer esta redução, o Governo socialista estará a violar a "posição conjunta" assinada entre o PS e o PEV, atirou a deputada.

De facto, no texto assinado entre Costa e Heloísa está lá no anexo redigido entre os dois partidos (numa parte dedicada à política fiscal): "Não constará do Programa de Governo qualquer redução da TSU das entidades empregadoras."

O primeiro-ministro fugiu à questão no debate, bem como depois, nos Passos Perdidos, quando interpelado pelos jornalistas. Aí recusou que haja violação dos acordos: "Não é assim", disse, sem se alongar, e notando que "o que está no programa do Governo" é uma "trajetória" de aumento do salário mínimo nacional.

António Costa também explicou o acordo com os lesados do BES, apontando que a solução encontrada é "um veículo que não será de natureza pública, mas privada, que não será financiado pelo Estado" e onde "o Estado só intervirá como garante".

O montante em causa de créditos é de 485 milhões de euros, enquanto que o valor que os lesados receberão será de 286 milhões de euros a três anos. "Nunca seriam os cofres públicos [a suportar os custos desta solução]", porque em último caso "recairia sim sobre o fundo de resolução", que é garantido pelos bancos.

No último debate do ano, com Costa a desejar "boas festas" a cada uma das bancadas, Cristas também deixou três prendas ao chefe do Executivo: um par de óculos, um soro da verdade e as propostas centristas deste ano. O primeiro-ministro agradeceu e prometeu retribuir com um retrovisor.

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