Das ambulâncias para o exame às provas na sala de aula habitual

Centenas de milhares de alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos estreiam hoje as novas provas. Todos na sala de aula habitual, diz o ministério, para evitar "artificialismos" nas avaliações

Com bastante menos pressão do que nos últimos anos - e nas salas de aula onde trabalham no dia a dia - centenas de milhares de estudantes do 2.º, 5.º e 8.º ano de escolaridade assinalam hoje, pelas 10.30, o arranque oficial da época de provas e exames, realizando os novos testes de aferição do 2.º, 5.º e 8.º ano de escolaridade. Quantos ao certo, só se saberá depois dos testes, já que este ano ainda não são obrigatórios e apenas 57% das escolas do país decidiram aplicá-los.

As novas aferições marcam a rutura definitiva com as extintas provas finais do 4.º e 6.º ano, que contavam 30% para a classificação final de Português e de Matemática. Não contam para a nota dos alunos mas servem para que a escola e os pais avaliem os progressos realizados e as áreas a melhorar.

O ministério fez questão de "evidenciar" a diferença entre umas e outras provas, tendo dado instruções a todas as escolas para que os alunos sejam avaliados no seu "ambiente natural de aprendizagem". Ou seja: nas salas de aula onde trabalham habitualmente.

Ao contrário do que sucedeu com as provas finais do 1.º e 2.º ciclo, não está prevista qualquer deslocação de alunos para as escolas-sede dos seus agrupamentos. Um dos "artificialismos", diz ao DN o ministério, que "foram impostos" nos últimos anos, "em que se chegou ao extremo de deslocar alunos para escolas-sede em ambulâncias".

A mudança de estratégia implica mais deslocações dos agentes das autoridades encarregues de distribuir os enunciados selados pelos estabelecimentos já que os procedimentos de segurança não mudam em relação aos exames. Ainda assim, na comparação com os exames do 4.º e 6.º ano, o ministério confirma haver uma poupança, até porque não há segunda fase (época de recurso), ainda que esta "seja pouco significativa".

Filinto Lima, da Associação nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, diz que a opção é benéfica. Sobretudo para as escolas mais isoladas: "As deslocações eram complicadas, porque implicavam transportes das câmaras municipais. E por vezes os alunos tinham de sair bastante mais cedo para chegarem a tempo."

Madalena, oito anos, que mora a poucos minutos de distância da escola que frequenta no concelho de Almada, não terá essa preocupação adicional quando hoje s estrear em testes externos, com a aferição de Português e Estudo do meio.

Confessa não estar nada apreensiva com o teste. Mas não porque a escola lhe dê pouca importância. Antes pelo contrário: "Já estou preparada porque ando a estudar muito na escola. Estamos há algum tempo a fazer coisas para a prova."

De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Ministério da Educação, a Área metropolitana de Lisboa é aquela onde mais escolas vão realizar os novos testes, com 62% de participação. A taxa mais baixa são os 43% do Algarve.

Menos de 10% das escolas optaram por realizar, no mês passado, as antigas provas do 4.º e 6.º anos, sendo que não as poderão utilizar para efeitos de avaliação dos alunos.

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