Costa para refugiados: "Não tenho a chave da fronteira da Alemanha"

Primeiro-ministro reiterou que Portugal está disponível para recebê-los

O primeiro-ministro visitou hoje o campo de refugiados de Eleonas, em Atenas, onde teve de explicar sobretudo a afegãos e sírios que não tem meios para ajudá-los a chegar à Alemanha, embora Portugal esteja disponível para acolhê-los.

"Não tenho a chave da fronteira da Alemanha. Só tenho a chave da fronteira portuguesa", disse António Costa em inglês, a meio da sua visita, a uma senhora síria, com uma criança de três ou quatro anos ao colo.

Eleonas é um campo de refugiados a cinco quilómetros da capital grega e que alberga atualmente cerca de 1500 pessoas, sobretudo de nacionalidades síria e afegã, e que é considerado o melhor do país em termos de condições logísticas, principalmente no campo da saúde e ao nível das condições de habitação.

Alguns dos pré-fabricados do campo de Eleonas dispõem de ar condicionado. Têm uma tenda que serve de parque infantil e possui serviços médicos. Mas nenhum dos refugiados parece querer ficar ali, ou em qualquer parte da Grécia, por mais tempo.

Na vista ao campo, o primeiro-ministro português ouviu insistentes pedidos de ajuda para que as fronteiras europeias sejam abertas rapidamente e para que a União Europeia permita o acesso à Alemanha.

Perante estes pedidos, António Costa procurou antes salientar a disponibilidade de acolhimento de Portugal. Só que também alguns dos que o ouviram, sobretudo afegãos, pouco ou nada sabiam sobre o país "vizinho da Espanha".

Já fora do campo e no final da visita, nas declarações que fez aos jornalistas, António Costa apresentou uma explicação para essa enorme vontade de se atingir território germânico.

"É natural que pessoas que fizeram já milhares de quilómetros, com um sonho de realizarem a sua vida num país que têm como referência de prosperidade e de futuro, apresentem alguma dificuldade em reorientar o seu trajeto. O que podemos fazer não é proibir ninguém de ir para outro país, mas comunicar que estamos disponíveis, que temos interesse e é com muito gosto que receberemos pessoas que pretendam viver connosco", disse o primeiro-ministro.

Ao longo da visita, que durou cerca de 45 minutos e que foi guiada por um jovem sudanês, António Costa escutou alguns relatos sobre casos dramáticos de fuga à guerra na Síria - e num deles a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, verteu mesmo algumas lágrimas.

Mas António Costa ficou também por vezes visivelmente embaraçado em conversas caraterizadas por algum otimismo ingénuo, muitas vezes resultado de informações falsas.

Uma segunda senhora afegã, também com uma criança ao colo, furou a segurança para perguntar a Costa quando é que abriam as fronteiras, dizendo ter a informação isso aconteceria dentro de um mês e que todos então poderiam seguir rumo ao norte da Europa.

"Bem? não sei", disse baixinho o primeiro-ministro, ganhando tempo para a sua resposta: "Sou primeiro-ministro de Portugal, país que não tem fronteira com a Grécia", alegou depois António Costa.

Durante a visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, foi seguindo estes e outras episódios atentamente, mas sempre a uma distância de alguns metros.

A ministra da Administração Interna, pelo contrário, foi abordada por dezenas de mulheres refugiadas e esteve sempre rodeada de crianças, passeando de mão dada com algumas delas.

Durante esta visita, também os jornalistas não escaparam a receber pedidos dramáticos de ajuda, com alguns refugiados a pegaram nas canetas e nos blocos dos repórteres para escreverem o seu número de telemóvel.

"Tenho a minha filha doente e o meu pai sofre do coração. Temos de sair daqui já", implorou Samira, uma rapariga síria.

Tudo isto se viveu em escassos 40 minutos em Eleonas, que é considerado o melhor campo de refugiados da Grécia.

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