Ceia de Natal da Cruz Vermelha: uma mesa para sete mil pessoas

Iniciativa inédita realiza-se em 61 localidades de norte a sul. Além da comida, serão servidas atuações musicais ou teatro. É a prenda para quem é acompanhado todo o ano

Quilos de bacalhau, batatas, hortaliças, mas também vinho, sumos, bolo-rei: alimentos em doses industriais são transportados por voluntários de supermercados de todo o país para refeitórios em 61 localidades de norte a sul. A semana tem sido de azáfama em torno de uma grande operação logística para a maior ceia solidária de Natal alguma vez realizada em Portugal.

Hoje, a partir das 19.00, a iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa vai juntar à mesa mais de sete mil beneficiários. Uma iniciativa inédita e com uma logística gigantesca, como explica ao DN Dulce Simões, diretora de voluntariado da Cruz Vermelha Portuguesa.

"A organização é feita a nível local pelas delegações e centros operacionais da Cruz Vermelha, que tiveram de tratar da recolha dos alimentos e agora farão a sua confeção para uma ceia tradicional, com o bacalhau e tudo o resto. Cada estrutura local é responsável por tratar de encontrar um local para a confeção e para a realização da ceia, bem como pela animação, que nuns casos serão atuações musicais, noutros será teatro", explica a responsável, salientando que o objetivo desta iniciativa, que conta com o apoio da cadeia de supermercados Intermarché, é proporcionar uma ceia de Natal condigna a "pessoas vulneráveis", que ao longo do ano são acompanhadas pelos serviços sociais das juntas de freguesia e pelos centros da Cruz Vermelha. "Trabalhamos com a comunidade e não para a comunidade. Ou seja, queremos ter sempre presente na nossa ação essa envolvência com as pessoas que são beneficiárias. Neste caso, as pessoas que estarão na ceia são aquelas que acompanhamos ao longo de todo o ano: sobretudo idosos, mas também famílias carenciadas", sublinhou.

Tudo é feito em articulação com as estruturas locais. Em Vila Nova de Gaia, Veneranda Barbosa, diretora executiva da delegação da Cruz Vermelha no mais populoso concelho do norte do País, explicou ao DN o trabalho que tem sido feito ao longo da semana para juntar à mesa famílias carenciadas das freguesias de Oliveira do Douro, Canelas e Pedroso. "Fomos buscar tudo o que era alimentos secos há dois dias, como o bacalhau, que está a demolhar desde então; hoje [ontem] tratamos de levantar os frescos. Durante o sábado [hoje], desde as 11.00 começaremos a cozinhar e a preparar o espaço."

Ceia em Gaia para 150 pessoas

Sandra Mendes, dona, em regime de franchising, de dois dos três supermercados que em Gaia colaboram com esta iniciativa, adianta que o seu papel é de ligação entre o grupo Mosqueteiros (do Intermarché) e a estrutura local da Cruz Vermelha. "Recebemos os produtos do camião que vem do centro logístico de Alcanena e entramos em contacto com os voluntários para fazerem a recolha. Tudo corre de forma eficiente", referiu, acrescentando Veneranda Barbosa que o trabalho tem fluido bem graças à mobilização de "cerca de 25 voluntários" só em Gaia.

Voluntários da Cruz Vermelha como Marcelo Fontes, diretor de coordenação, e Vânia Almeida, educadora social, que o DN acompanhou na tarde de ontem, recolheram alimentos no supermercado, em Canelas, junto à Escola Básica e Secundária onde neste sábado se realiza a ceia.

"Estamos à espera de receber mais de 150 pessoas das juntas de freguesia de Oliveira do Douro, Pedroso e Canelas, mas também do nosso centro comunitário de Mafamude. Isso obriga a uma grande coordenação e disponibilidade dos nossos voluntários. Ao longo destes dias, fomos recolhendo os alimentos em dias diferentes, consoante fossem frescos ou secos. O pão, por exemplo, só iremos buscar no próprio sábado, porque vem congelado e o supermercado far-nos-á o favor de aquecer. Vamos ter bolo-rei, houve empresas que nos cederam produtos para fazermos pudins... Tudo isso foi coordenado para que esteja tudo pronto a horas a partir das 19.00 deste sábado", explica Vânia, enquanto, juntamente com Marcelo, transporta caixas e embalagens de uma palete trazida do armazém por uma empilhadora para a carrinha da Cruz Vermelha.

A tarefa é feita com celeridade. Em poucos minutos, ambos se fazem à estrada para transportar os alimentos de modo a acondicioná-los no centro comunitário de Mafamude. Só mais tarde, quando terminarem as aulas, será tudo transferido para o refeitório da Escola Básica e Secundária de Canelas.

Tudo feito com rapidez e sempre com um sorriso. Há um desígnio maior a cumprir. Para boa parte das sete mil pessoas que se sentarão à mesa de norte a sul do país, a verdadeira noite de Natal cumpre-se hoje: neste dia 16 de dezembro.

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