"A grande maioria das mulheres não está disponível"

Entrevista a Teresa Almeida Santos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, sobre a gestação da substituição

Como é que vê a aprovação da gestação de substituição em Portugal?

Vejo com alguma surpresa. Estávamos à espera de alterações à lei da Procriação Medicamente Assistida, só depois soubemos que ia ser votada a gestação de substituição. As duas coisas em simultâneo configuram uma mudança de paradigma em Portugal. Mas vamos adaptar-nos. Ainda vai demorar algum tempo a acontecer, mas os especialistas em medicina de reprodução estão à altura de assumir a responsabilidade.

É algo que exige muita preparação?

Em termos técnicos, não existe uma grande mudança. Tecnicamente, a gestação de substituição não oferece desafios, é uma implantação do embrião no útero. Mas em termos concetuais é diferente. Temos de ter mais apoio nas avaliações psicológicas e até apoio jurídico.

Que impacto pode ter para quem disponibiliza o útero?

As pessoas que entram no processo e se disponibilizam para a gestação têm de estar muito conscientes e é precisamente por isso que o Projeto de Lei prevê que seja uma mulher que já tenha sido mãe. Penso que isso só acontecerá por altruísmo, quando existir uma relação próxima com a mulher que quer ser mãe. São mudanças. É tudo uma questão de adaptação psicológica.

Há o risco de a gestante ficar afetada psicologicamente, de ser difícil separar-se do bebé?

Isso tem que estar previsto. O pressuposto é que a criança será entregue quando nascer. Mas acredito que a grande maioria das mulheres não estaria disponível para isso. No entanto, há pessoas com um altruísmo muito grande, dispostas a fazer isso por outra pessoa. Se nos outros países há, em Portugal também haverá.

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