230 farmácias recolhem medicamentos para doar a IPSS

Produtos de saúde recolhidos amanhã vão beneficiar cem instituições particulares de solidariedade. Em nove anos, Banco Farmacêutico já doou 82 mil remédios

Oitenta e duas mil embalagens de medicamentos e produtos de saúde entregues a organizações de solidariedade social; cem instituições beneficiadas; 230 farmácias aderentes; 600 voluntários. Esta é a contabilidade dos dez anos do Banco Farmacêutico, que amanhã realiza a décima recolha de fármacos não sujeitos a receita médica. Não há metas traçadas, mas existe a convicção de que irão ser ultrapassados os 14 mil medicamentos doados, com o valor estimado de 56 000 mil euros - conseguidos em 2017. Tanto mais que neste ano a ação vai decorrer, pela primeira vez, em todos os distritos de Portugal continental

"As necessidades das instituições são muito maiores do que conseguimos angariar nas nossas jornadas, mas somos uma pequena ajuda. Com esta recolha - e falamos de medicamentos de venda livre, comprados no momento nas farmácias - pretendemos ser um contributo para aliviar as instituições de solidariedade que tratam dos mais carenciados através do fornecimento gratuito de medicamentos", comentou ao DN Luís Mendonça, presidente do Banco Farmacêutico.

Este responsável admite que as pessoas ainda não estão totalmente sensibilizadas para este tipo de doações, ao contrário do que se passa com alimentos e roupas. Mesmo assim, considera que ao longo destes dez anos de Banco Farmacêutico, "os portugueses estão mais sensibilizados para a importância de ajudarem as pessoas mais necessitadas, através da doação de um produto que, para muitos, é quase inacessível".

A prova disso é que o número de medicamentos recolhidos tem aumentado de ano para ano. Quando a iniciativa começou, em 2009, aderiram 59 farmácias e foram conseguidos 4292 produtos. Cinco anos depois, o número de farmácias duplicou e foram quase dez mil os medicamentos doados a instituições, que pode ser um lar de terceira idade, um centro paroquial, uma casa de acolhimento de crianças em risco. Em fevereiro do ano passado, esse número passou para os 14 mil.

A jornada de recolha é feita apenas nas farmácias, onde o farmacêutico é o garante da qualidade dos medicamentos doados e apenas são recolhidos produtos novos e seguros, que ainda não tenham estado fora do circuito do medicamento (não são aceites embalagens vindas de casa). As instituições listam as suas maiores necessidades e essa lista segue para as farmácias que a dão a conhecer aos clientes. Os mais doados são analgésicos, antitússicos e anti-inflamatórios. "Muitas vezes, as pessoas dão o medicamento com o qual mais se identificam, e de acordo com aquilo que sentem", explica o presidente do Banco Farmacêutico.

Luís Mendonça salienta o facto de neste ano ter sido alcançado o objetivo de ter uma "jornada a nível nacional, com farmácias em todos os distritos". "Temos mais de cem associações apoiadas e vão ser cerca de 230 farmácias a proceder à recolha, o que faz uma média de 2,3 farmácias por instituição de solidariedade. Admito que para instituições grandes, com muitos utentes e necessidades, este é um pequeno contributo, mas para as pequenas IPSS é uma ajuda significativa."

O Banco Farmacêutico nasceu em Milão. A primeira jornada de Recolha de Medicamentos em Itália decorreu em dezembro de 2000. Desde então, a jornada realiza-se todos os anos, no segundo sábado do mês de fevereiro. A iniciativa existe também em Espanha, desde 2007. Atualmente, abrange cerca de 3500 farmácias e já beneficia mais de 450 mil pessoas.

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