Numa sessão dedicada a discutir problemas da juventude, que juntou perto de uma centena de sub-30, sobretudo deputados, militantes e simpatizantes da Juventude Chega, André Ventura recorreu a um octogenário para prever que será o próximo Presidente da República. Referindo-se à manchete da edição desta quarta-feira do DN, que dava conta de que Cavaco Silva irá “naturalmente” apoiar António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, o candidato apresentou-o como um “talismã”.“Em todas as eleições em que Cavaco Silva se pronunciou, nestes seis anos, perdeu sempre”, disse Ventura, recebendo sonoras gargalhadas da plateia que o ouvia no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Lumiar, que aceitou alojar o evento após a Assembleia da República recusar a sua realização no Auditório Almeida Santos, alegando que tal iria contra a sua neutralidade na campanha eleitoral. A peripécia levou a deputada Rita Matias, coordenadora da Juventude Chega, a contrapor que a sua noção de imparcialidade “é receber todos e não fechar portas a alguns, que são sempre os mesmos”, mas a grande preocupação no final de tarde de quarta-feira era apresentar argumentos para reforçar o apoio dos eleitores mais jovens no candidato que ficou em segundo lugar no domingo passado. Sendo um dos desafios para a vitória a 8 de fevereiro “chegar aos jovens liberais, aos poucos que votaram em Marques Mendes e aos quase nenhuns que votaram no almirante”, Ventura não hesitou em admitir que Cotrim de Figueiredo agregou muitos jovens e realçou os “traços em comum” com os liberais, que incluem a vontade de baixar impostos, mas deixou claro aquilo que os separa. “Nunca irei descer a Avenida da Liberdade com a bandeira LGBT, ao lado do PCP e do Bloco de Esquerda”, garantiu, para gáudio dos jovens que tinha à frente, com membros do grupo parlamentar do Chega na primeira fila e alguma prevalência de mulheres nas filas seguintes.Se a mensagem principal era a promessa de ajudar a construir, a partir do Palácio de Belém, uma sociedade em que os jovens não sintam necessidade de emigrar e em que possam regressar os que “foram criar riqueza em Londres,Tóquio e Nova Iorque”, também houve interesse em salientar a “votação incrível entre as mulheres”, mesmo admitindo que se trata de um segmento do eleitorado em que existe alguma resistência à mensagem do partido e dos seus candidatos.Foi nesse momento que a plateia começou a manifestar-se. Cidália, mãe de três filhos, vinda do Norte e que comprou casa no Entroncamento - uma das três câmaras municipais que passaram a ser lideradas pelo partido em 2025 -, lançou o mote, ao dizer “sou mãe solteira e sou do Chega”, intervindo diversas vezes ao longo da sessão. Fosse para denunciar a falta de apoios no acesso à habitação, para dizer quanto paga por uma creche que alega nada cobrar a “meninos indostânicos” ou criticar a falta de respostas quando foi vítima de violência doméstica numa relação anterior, vendo-se na iminência de perder a guarda dos filhos. “É com este país real que temos de nos preocupar”, disse o candidato presidencial, prometendo “transformar o país”..Também houve quem defendesse que “a nossa maior oposição é a comunicação social, dominada pela esquerda”, como a jovem Rita Lopes. André Ventura defendeu a tese de que, ao longo dos anos, “as redações foram infiltradas pela extrema-esquerda, pelo PCP, pelo Bloco de Esquerda e pelo PS”, mas foi tão conciliatório quanto as circunstâncias lhe permitiam, reconhecendo que haverá quem “tente fazer o seu trabalho com alguma independência”. E pragmático, ao sublinhar que uma televisão generalista pode ter “uma peça contra nós” a ser vista por 800 mil pessoas, mas a sua conta de Instagram alcança 1,5 milhões de utilizadores. ”Falamos diretamente para os portugueses”, disse.Uma intervenção de outro jovem, residente em Santa Iria da Azoia, para quem “a criminalidade tende a aumentar, e não de uma forma reduzida”, nos locais com comunidades de ciganos, enumerando os “problemas de qualquer pessoa que viva perto dessa gentalha”, serviu ao candidato para renovar ataques àqueles que “em 500 anos não se conseguiram integrar”. E apresentou-os como maiores exemplos daqueles que “recebem uma pipa de massa” em subsídios.Perto do final da sessão, que teve de ser interrompida devido à entrevista que iria dar à RTP, já depois de uma estudante universitária criticar um professor que “ficou duas horas e meia a falar do populismo”, Ventura resumiu a frustração que ouvira na maioria das intervenções dos jovens que o foram ouvir ao Palacete da Quinta das Conchas. “De que serve serem a geração mais qualificada de sempre se não conseguirem encontrar trabalho?”.Ventura foi anunciar a Sacavém que a sua Comissão de Honra “é o povo português”.Candidato a vereador de Moedas recusa votar em Seguro, "rosto do PS que deixou o país numa situação caótica"