Para lá do Marão arranca a derradeira semana da campanha eleitoral de André Ventura. O candidato presidencial estará na manhã desta segunda-feira em Chaves, após ter dedicado o fim de semana aos distritos do Porto, de Braga e de Viana do Castelo. Com as votações cada vez mais homogéneas ao longo do território nacional, superando a desvantagem relativa que o Chega tinha a Norte, deverá reservar palavras aos problemas do Interior. No registo dos “esquecidos” pelo poder central, muitas vezes repetido por Ventura noutras batalhas eleitorais, e apurado nesta corrida ao Palácio de Belém.Na aproximação à capital, cuja rota ainda não está completamente definida, para desespero dos jornalistas que fazem a cobertura da campanha, mas também dos elementos da sua comitiva, André Ventura lutará para converter a falta de apoios exteriores ao partido de fraqueza em força. Tal como demonstra o seu outdoor onde se lê que “quando estão todos contra um homem é porque está no caminho certo”, apostará cada vez mais no discurso “contra tudo e contra todos” que tem marcado a segunda tentativa de conquistar a Presidência da República.Apesar de a sua ideia de enquadrar a segunda volta como o confronto entre o espaço socialista e o espaço não-socialista ter sido recebida com desdém no centro-direita, sucedendo-se declarações de voto em António José Seguro por parte de Cavaco Silva, Marques Mendes, Paulo Portas e, mais recentemente, até de Ramalho Eanes e Gouveia e Melo, o líder do Chega manterá ataques ao PS. Mesmo que para tal persista em tentar colar o seu adversário na segunda volta a figuras com quem as suas ligações são manifestamente exageradas. Sejam António Costa, José Sócrates ou mesmo o antigo ministro Armando Vara, que tem sido apresentado como o símbolo das subvenções vitalícias.Mas a forma como o impacto da tempestade Kristin moldou os últimos dias da campanha presidencial de Ventura, fosse percorrendo as ruas devastadas de Leiria, promovendo recolhas de alimentos para os mais afetados ou visitando explorações agrícolas que lidam com avultados prejuízos, fez recordar que António José Seguro não é o único adversário que enfrenta. No topo das prioridades pós-8 de fevereiro, como se viu nas críticas às falhas na prevenção ou nas alegações de lentidão na resposta do Governo, está o primeiro-ministro Luís Montenegro, com quem Ventura disputa a liderança da direita.Sem expectativas de uma reviravolta drástica ao ponto de lhe permitir reverter a desvantagem em relação a Seguro nas sondagens, Ventura aproveitará a ida às urnas para medir forças com a AD, cujos partidos não deram indicação de voto, mas viram centenas de eleitos e dirigentes declararem que votarão em Seguro. Sendo o cenário ideal do líder do Chega ter consigo mais eleitores do que aqueles que reconduziram Montenegro enquanto primeiro-ministro, nas legislativas de 2025, acrescentar mais de 450 mil votos aos que contabilizou a 18 de janeiro aparenta ser excessivamente ambicioso mesmo para quem está habituado a ir muito além dos resultados esperados.Mais fácil de alcançar, sobretudo se a abstenção aumentar de forma significativa, principalmente entre os 2,5 milhões que votaram nos candidatos que ficaram pelo caminho, será uma percentagem superior aos 31,2% da coligação entre PSD e CDS.Deve ser a atacar a dupla de adversários, com farpas à “falta de ideias” e “ausência de posições” de António José Seguro a coexistirem com reparos a falhas do Governo da AD que Ventura se aproximará da capital. E sem poder contar com a presença de figuras exteriores ao partido, embora tenha recebido apoio dos líderes do ADN e da Nova Direita.Estando garantido que o percurso até à capital envolverá passagens por territórios favoráveis ao Chega, como o distrito de Santarém, para o encerramento de campanha pode estar reservada uma grande surpresa. Ao invés da tradicional descida do Chiado, existe a hipótese de a comitiva de André Ventura trocar o concelho de Lisboa pelo de Sintra.Afinal, além do simbolismo de o segundo concelho mais populoso de Portugal ser aquele de onde Ventura é natural, Sintra é uma das raras exceções onde um autarca do PSD, neste caso Marco Almeida, atribuiu pelouros a vereadores eleitos pelo Chega..Reta final de Seguro será contra a desmobilização eleitoral e também terá ambiente na agenda