Sindicatos dizem que demissão de Cabrita "peca por tardia"

Sindicalistas nada esperam da ministra que vai acumular Justiça e Administração Interna: "só irá cumprir calendário".

"Só é pena que esta demissão tenha sido por uma questão política, meramente porque vamos para eleições e por causa do inquérito que está a decorrer por causa do atropelamento do cidadão que faleceu na autoestrada. É uma atitude que o senhor ministro já devia ter tomado há muito tempo".

O lamento é de César Nogueira, presidente da APG/GNR que considera que "a demissão [de Eduardo Cabrita] peca por tardia, sim. E o novo ministro [Francisca Van Dunem] não irá fazer nada, porque iremos para eleições. Enquanto as políticas da Administração Interna não mudarem o ministro pode ser qualquer um. Aquilo que nós pretendemos é que mudem as políticas. A demissão do ministro era uma coisa que veio dar jeito ao Governo ainda em funções e possivelmente ao PS".

O responsável da associação socioprofissional da GNR diz que "agora estamos focados nas próximas eleições para ver quem irá governar e aí sim, iremos com todas as forças".

O sindicato que representa os inspetores do SEF, e que pediu várias vezes a demissão de Eduardo Cabrita durante o processo em que esteve em discussão a extinção daquele serviço de segurança, congratulou-se com a "excelente notícia para o sistema de segurança interna".

"Espero que nunca mais volte a tutelar a Administração Interna, pois enfraqueceu todas as instituições que lhe competia reorganizar e reforçar", afirma o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF-SEF), Acácio Pereira.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Santos, sublinha a "incapacidade de [Eduardo Cabrita] para resolver os problemas concretos dos polícias. E mais importante que a pessoa que veste o casaco de ministro é aquilo que são as políticas dos sucessivos governos para a área da segurança pública e para a resolução concreta dos problemas dos polícias (...) é uma demissão que surge por causa do calendário eleitoral".

O Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) recorda que "há muito" que tinha pedido a demissão do ministro "por nada resolver na PSP". Eduardo Cabrita, afirma Mário Andrade, "iniciou muitas negociações, mas não terminou um processo negocial", dando o exemplo da revisão de subsídios e suplementos na PSP.

Reações políticas

Para o PCP, aconteceu um "desfecho que era inevitável perante a acumulação de casos envolvendo a atuação do Ministério da Administração Interna". Factos que, segundo António Filipe, "tornaram insustentável a continuidade do ministro".

Catarina Martins( BE) considerou que a demissão "peca por tardia" e que o ministro já se devia ter demitido há dois anos "quando o cidadão ucraniano Ihor Homenyuk foi assassinado e torturado às mãos de forças de segurança portuguesas".

Rui Rio não tem dúvidas: "Eduardo Cabrita já deveria ter saído, sai agora para proteger o PS por causa das eleições". E Francisca Van Dunem? "É uma boa escolha porque não vai fazer nada".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG