"PCP não apoia a guerra e isso é uma vergonhosa calúnia"

Líder comunista discursou no final de comício que comemora os 101 anos do partido. Jerónimo de Sousa aproveitou para criticar as posições da NATO e dos EUA e voltou a apelidar a Rússia como um estado capitalista, algo que já tinha feito.

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, disse este domingo que o partido "não apoia a guerra" e classificou como "uma vergonhosa calúnia" a contestação que tem sido feita contra a posição do partido em relação ao conflito na Ucrânia, referindo que "tem servido para uma nova campanha anticomunista".

Em declarações no final do comício "Pela paz, a liberdade, democracia e o socialismo", que assinala os 101 anos do partido, o líder comunista aproveitou para se afastar, também, da Rússia e das políticas de Putin. "O PCP não tem nada a ver com a Rússia e com o seu presidente. A opção de classe do PCP é oposta à das forças políticas que governam a Rússia", disse.
Jerónimo de Sousa já tinha dito, no primeiro dia da ofensiva russa na Ucrânia, que as políticas da Rússia atual são de um país capitalista e um ataque à União Soviética.

"O posicionamento do PCP é de solidariedade com os povos e é por isso que condenamos a expansão da NATO para leste e a política imperialista dos Estados Unidos", disse o secretário-geral comunista, lançando de seguida o repto: "Reflitamos nem que seja durante dez segundos: a quem serve a guerra? Não aos ucranianos, nem aos russos, nem tão pouco aos restantes povos europeus".
Por isso, diz, "o PCP apela ao fim da escalada de confrontação", opondo-se "ao imperialismo, à ingerência e à política belicista protagonizada pela NATO e pelos Estados Unidos, bem como ao fim da militarização da União Europeia", manifestando-se também contra a "venda de armas que permite aos Estados Unidos lucrar "económica e militarmente" com um conflito "a milhares de quilómetros das suas fronteiras".

Jerónimo de Sousa referiu ainda que a solidariedade e a ajuda humanitária aos povos "não se pode confundir com o apoio a grupos fascistas ou neonazis". Segundo o líder do PCP, "o golpe de estado de 2014" foi promovido pelos Estados Unidos, e permitiu a grupos "xenófobos e belicistas" chegar ao poder na Ucrânia.

Durante o discurso, Jerónimo de Sousa aproveitou também para referir que o PCP "não só não apoia" como também "condena" qualquer falha ao cumprimento "dos princípios do direito internacional, da Carta da ONU e da Ata Final da Conferência de Helsínquia", que preveem a cooperação entre os povos com vista à manutenção da paz.

O secretário-geral comunista manifestou-se também contra o "alargamento da NATO", apoiando a sua "dissolução", referindo que também as sanções devem acabar, tal como os bloqueios, contribuindo, assim, "para o desarmamento do mundo". O líder comunista disse também que o partido é "pelo fim das armas nucleares" e apelou a todas as partes que respeitem "os direitos da soberania dos povos".

Jerónimo de Sousa aproveitou também para refletir sobre o impacto da pandemia na vida das pessoas. "Durante a pandemia, os rendimentos das pessoas caíram, as desiguldades aprofundaram-se e os ricos ficaram mais ricos", afirmou, sem esquecer o que, para si, motivou tudo isto: "os processos da globalização capitalista", considerou.

rui.godinho@dn.pt

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