Debate entre Medina e Moedas marcado por "casos e casinhos"

Edil Fernando Medina (PS) e Carlos Moedas (PSD) debateram sobre Lisboa esta terça-feira na TVI 24

O debate desta terça-feira entre os principais candidatos às eleições autárquicas de Lisboa, o edil Fernando Medina (PS) e Carlos Moedas (PSD) ficou marcado por diversas trocas de acusações.

Medina acusou o rival de aproveitamento político de casos que envolveram a Câmara Municipal de Lisboa, de não ter qualquer ideia nem visão para a cidade e de ser camaleónico nos seus discursos e desvalorizou as propostas de Moedas para ajudar os jovens a comprar casa e para combater os problemas de mobilidade na cidade.

Já o candidato social-democrata acusou o autarca de falta de ética ao colocar na sua lista uma pessoa que tem um contrato com a Câmara [a arquiteta Inês Lobo], de repetir as ideias que não concretizou no mandato, de ser um "ótimo diretor de marketing" de presidir a autarquia com a "pior rede de transportes da Europa" e da falta de qualidade das ciclovias lisboetas ter provocado a morte de 26 pessoas em 2019.

"Casos e casinhos"

O debate arrancou com Fernando Medina a ser questionado na TVI pelas suspeitas sobre o vereador do urbanismo, Manuel Salgado. O autarca defendeu a separação de poderes e disse que essas "suspeitam não minam" a sua candidatura. "Temos tido uma postura institucional correta. Queremos que as investigações decorram com celeridade e vamos colaborar. Não há ninguém acusado, pronunciado nem julgado de nenhum crime. O meu papel é diligenciar para que todas as irregularidades sejam apuradas. É recorrente aparecerem aproveitamentos políticos em tempo de campanha eleitoral", afirmou.

Por outro lado, Carlos Moeda insistiu que a "democracia implica escrutínio" e que é isso que tem feito com Fernando Medina. "Vejo com espanto que o vereador do urbanismo, hoje arguido, continua a trabalhar com Fernando Medina como consultor. Há outro vereador envolto em escutas e suspeições. A número dois de Fernando Medina na lista para as autárquicas [Inês Lobo] tem um contrato com 800 mil euros com a Câmara Municipal, há um conflito de interesses. Não são casos e casinhos. Estamos a falar de 28 mandatos de busca. São muitos anos em que as pessoas estão cansadas", justificou.

Sobre Inês Lobo, Medina disse que se trata de "uma das mais pretigiadas arquitetas do nosso país" e acusou Moedas de deixar "os problemas de Lisboa para segundo plano". "Não assento a minha campanha em capas do Correio da Manhã", atirou.

Impostos e contas certas

Carlos Moedas manifestou vontade de "baixar os impostos" aos lisboetas, nomeadamente o IRS e a isenção de IMT aos jovens que queiram comprar casas até 250 mil euros. "Vou devolver 32 milhões de euros às pessoas e isentar o IMT aos jovens. As pessoas estão cansadas de pagar impostos às pessoas. A Câmara tem mil milhões de orçamento. Programa de Fernando Medina é uma repetição do que ele não fez. Fernando Medina é que não tem ideias para Lisboa. O que propus foi a suspensão da taxa turística durante a pandemia", salientou.

Por seu turno, o autarca sublinhou que a "Câmara de Lisboa é a que tem os impostos mais baixos na Área Metropolitana de Lisboa desde 2012, quando se adotou uma política de estabilidade fiscal" e salientou a necessidade de manter a "segurança financeira, as contas certas". "A boa gestão foi o que nos libertou verbas para o programa municipal de combate à pandemia e sem aumentar a dívida. 40% das famílias em Lisboa não pagam IRS, porque têm rendimentos baixos. Baixar o IRS pouco ou nada ia ajudar quem tem menos rendimentos", explicou o autarca, que pretende isentar o pagamento de creches no final do próximo mandato, caso seja reeleito.

Ainda sobre impostos, Carlos Moedas disse que a "habitação é um dos maiores problemas da cidade e um dos maiores falhanços de Medina, que prometeu seis mil casas e não cumpriu" e que é necessário "incentivar os jovens a comprar casa", nomeadamente qual a isenção do IMT.

Porém, Medina disse que a "descida do IMT não resolve problema nenhum". "A direita não aprendeu nada sobre a habitação. Uma casa de 250 mil euros precisará de uma entrada de 40 ou 50 mil euros. Quem tem 40 ou 50 mil euros para dar de entrada? É uma medida dirigida a filhos de pais com posses? Não são esses os rendimentos da maioria dos lisboetas", vincou.

Desacordo quanto à mobilidade

A mobilidade é considerada um dos grandes problemas de Lisboa, mas os dois candidatos mostraram ter ideias diferentes para o resolver. Fernando Medina recusou implementar mais "taxas" à entrada da cidade e apontou os meios pesados de transporte como a "grande resposta" a dar. "É preciso alargar o metro dentro e fora de Lisboa, reforçar a ligação ferroviária a Sintra, que é o segundo concelho mais populoso do país, e à margem sul, e ter uma só empresa de transporte coletivo na Área Metropolitana", enumerou, acusando Moedas de não se preocupar com as emissões de gases poluentes.

Já o candidato social-democrata recordou que lutou pela criação de programas de combate às alterações climáticas enquanto comissário europeu e voltou a defender que "o problema da mobilidade em Lisboa resolve-se com a criação de parques de estacionamento dissuasores à entrada da cidade". "Vamos dar acesso gratuito a transportes coletivos de Lisboa a todos os que têm menos de 23 anos e mais de 65", aditou.

No entanto, Medina contestou a proposta de criação de parques dissuasores. "Acha que se resolve o problema de mobilidade de Lisboa, que tem 340 mil carros a entrar na cidade todos os dias, é fazer parques dissuasores? Com 340 mil lugares? Onde? No Marquês de Pombal? Na muralha?", questionou, descolando do projeto da linha circular do metro: "foi aprovada em 2009, com voto a favor do PSD."

Ainda sobre o metro, Moedas disse que Lisboa tem "a pior rede de transportes da Europa", culpa também de o metro não ir "até à porta das pessoas" e de se ter de "esperar imenso tempo por um autocarro".

E tal como no debate entre os sete candidatos na semana passada, na SIC e na SIC Notícias, as ciclovias voltaram a constituir tema de conversa. "Há uma ciclovia que vou acabar, que é a da Almirante Reis. Eu gosto de ciclovias, gosto de andar de bicicleta, andei de bicicleta em Bruxelas durante imenso tempo, mas Lisboa não tem ciclovias de qualidade. Não são bem feitas nem têm segurança. Em 2019 morreram 26 pessoas nas ciclovias", criticou Moedas, cujos dados quanto à sinistralidade foram questionados por Medina: "Morreram 26 pessoas? Onde? Em Lisboa?"

"Moedas quer ser simpático com as pessoas que utilizam o automóvel e ao mesmo tempo fazer o papel de moderninho. É o tal papel camaleónico, quer estar bem com toda a gente. A sua política é a do passado, dos anos 1980, da televisão a preto e branco", atirou o edil lisboeta.

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