Marcelo quer deixar "um país que tenha no mundo mais influência do que hoje tem"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou esta segunda-feira que o Chefe Estado Maior da Armada nunca foi demitido, uma vez que apenas ele teria o poder de fazer essa exoneração. Agora, "não há alteração nenhuma em relação ao que se vivia antes", diz.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta segunda-feira (4 de abril) que o Chefe de Estado Maior da Armada (CEMA), almirante Mendes Calado, nunca foi demitido.

"É o Presidente da República que exonera", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em entrevista à TVI, quando questionado sobre a polémica criada pelas notícias dando conta que o governo planeava demitir o CEMA. "Aproveitei a primeira ocasião para dizer que não houve demissão, não houve exoneração.".

Marcelo afirmou que só não desmentiu as notícias na mesma noite em que saíram porque "não quis dramatizar".

As referidas notícias davam conta que o almirante Mendes Calado estava de saída e para o seu lugar iria o o vice-almirante Gouveia e Melo, sendo que na origem da demissão estaria também o facto de aquele ter defendido "uma versão diferente" -- nas palavras de Marcelo -- da Lei de Defesa Nacional do que aquela que foi aprovada com os votos do partido que apoia o governo. "Nada disto correspondia à realidade", garantiu o Presidente da República esta segunda-feira à noite na entrevista a Miguel Sousa Tavares.

Mas este caso modificou de alguma forma as relações entre os militares e o poder político? "Não há alteração nenhuma", garantiu o PR.

No rescaldo das autárquicas: "não é liderança, é estratégia"

Quanto à situação política nacional, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a reforçar a importância que atribui à "estabilidade política governativa".

"Farei tudo o que estiver na minha mão para apelar a que os orçamentos sejam aprovados", afirmou.

Olhando para o panorama político português -- recusando "fazer de comentador" -- o Presidente da República afirmou que ​​​​​"para haver uma alternativa de centro direita e à direita o problema não é de liderança, é de estratégia", para quem "o que provoca mais instabilidade é não haver alternativa forte".

"A leitura que os partidos fizeram destas autárquicas vai determinar a sua estratégia para as legislativas", concluiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Um país em mudança

Considerando que o país mudou muito, para melhor, nas últimas décadas, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu no entanto que ainda é preciso alterações de fundo para que o papel de Portugal no mundo se consolide.

"Temos a tradição de dependência do Estado, temos", reconheceu o Presidente da República. "Mas também temos 2 milhões e 200 mil pobres", que têm de ser ajudados.

Perante o que considera "uma sociedade civil tradicionalmente fraca", Marcelo faz questão de "não ignorar aqueles que estão hoje a inovar".

"Sim, temos muita gente que se queixa do estado e a seguir ia a correr pedir ajuda ao estado, mas começa a haver gente que não faz assim. Temos muitos unicórnios, muitas startups", realçou.

Para o futuro próximo, Marcelo Rebelo de Sousa deixou claro uma "grande ambição": "Que reforcemos a nossa posição no mundo"

"Um país que tenha no mundo mais influência do que hoje tem"

Só o conseguirá, prosseguiu, com uma "base de sustentação, crescer a mais de 3%".

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