Candidatos dividem portugueses, mas Montenegro vence entre eleitores do PSD

Sondagem para o DN, JN e TSF mostra que a maioria dos portugueses não tem preferência por nenhum dos candidatos à liderança. Mas, entre os que votaram no partido nas últimas legislativas, o ex-líder parlamentar ganha.

A maioria dos portugueses, 58%, não consegue ter uma opinião sobre quem é melhor para liderar o principal partido da oposição, segundo a sondagem da Aximagem para o DN, JN e TSF. E os 42% que se pronunciam repartem-se pelos dois candidatos à sucessão de Rui Rio. Ou seja, Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva aparecem ambos com 21% nas preferências dos inquiridos para conduzir o PSD a partir de 28 de maio. No entanto, olhando apenas para os inquiridos que revelaram ter votado no PSD nas últimas legislativas de janeiro, a preferência vai claramente para Luís Montenegro, com 41% a pronunciar-se nesse sentido contra 22% para Jorge Moreira da Silva (37% não tem opinião).

Nesta amostragem recolhida entre 19 e 24 de maio e que envolveu 805 pessoas, percebe-se que não há grandes diferenças na escolha dos inquiridos consoante a zona geográfica - a norte Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente, recolhe mais simpatia do que Luís Montenegro, enquanto o antigo líder parlamentar da bancada social-democrata granjeia mais apoios a centro, sul e ilhas. Já olhando para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o que se vê é um empate nas duas regiões.

No que diz respeito aos grupos etários também não se verificam grandes oscilações. Montenegro recolhe maior preferência entre os inquiridos dos 18 aos 49 anos e Moreira da Silva nos que têm 50 ou mais.

Troca de acusações em Beja

A um dia do fim da campanha para as eleições internas, a mandatária em Beja da candidatura de Jorge Moreira da Silva à liderança do PSD e a distrital do partido trocaram acusações sobre alegadas "diferenças de tratamento" da estrutura partidária para com os candidatos.

"Há diferenças de tratamento" na divulgação das iniciativas, o que "subverte a igualdade que as candidaturas devem ter dos órgãos institucionais", afirmou à agência Lusa a mandatária em Beja de Jorge Moreira da Silva, Inês Mota Batista. A responsável falava a propósito de um comunicado em que a direção de campanha de Moreira da Silva em Beja acusou a distrital do PSD de "preterir" o ex-ministro do Ambiente na "divulgação de ações e informações". "A divulgação [de uma ação de Luís Montenegro em Beja] até se pode considerar aceitável, mas não deixa de ser desonesta para com os militantes que optam por apoiar Jorge Moreira da Silva", considerou.

A mandatária explicou ainda que está em causa a ausência de divulgação por parte da Comissão Política Distrital de Beja do PSD de uma ação de Jorge Moreira da Silva na cidade alentejana, que acabou por não se realizar quando o candidato ficou infetado com covid-19. Na altura, "a distrital não divulgou o evento e não enviou mensagens e e-mails aos militantes, como o fez, agora, em relação ao evento com Luís Montenegro", disse Inês Mota Batista. Acrescentou que a estrutura partidária "tinha conhecimento" da realização do evento de Moreira da Silva em Beja, pois foi "amplamente divulgado na comunicação social do Baixo Alentejo" e vincou que se esperava "uma igualdade entre candidaturas". "Cada um é livre de apoiar quem quiser apoiar, mas, quando se faz através de meios institucionais do partido, tem que se dar tratamento igualitário a ambas as candidaturas", sublinhou a mandatária.

Em comunicado, a Comissão Política Distrital de Beja do PSD alegou que não teve conhecimento da iniciativa de Jorge Moreira da Silva na cidade nem foi informada da realização de qualquer ação por parte da sua candidatura. "A estrutura de campanha de Beja de Jorge Moreira da Silva não mostrou qualquer intenção de usar os meios do partido, quando estes estão à disposição de todas as estruturas e órgãos do distrito, mostrando negligência e desconhecimento", argumentou.

No comunicado, assinado pelo presidente da distrital de Beja, Gonçalo Valente, a estrutura partidária explicou que divulgou pelos "meios habituais" uma iniciativa da candidatura de Luís Montenegro "a pedido da sua estrutura local de campanha". Os "assuntos internos do partido são para serem tratados dentro do partido e nunca na praça pública. Esta atitude mostra má índole e é de uma enorme deselegância para quem se esforça diariamente para elevar o PSD na nossa região", acrescentou.

Entretanto, Montenegro visitou ontem uma empresa têxtil em Guimarães e elogiou a forma como tem decorrido a campanha, refutando a acusação de Jorge Moreira da Silva de estar a fugir a um debate entre os dois: "Nunca houve uma campanha eleitoral interna do PSD, com o regime de eleições diretas, com mais do que um candidato, com a elevação que esta teve". Com Lusa

fFcha técnica: Universo: Indivíduos maiores de 18 anos residentes em Portugal. Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e escolaridade (2). A amostra teve 805 entrevistas efetivas: 712 entrevistas CAWI e 93 entrevistas CATI; 182 entre os 18 e os 34 anos, 214 entre os 35 e os 49 anos, 226 entre os 50 e os 64 anos e 183 para os 65 e mais anos; Norte 278, Centro 179, Sul e Ilhas 109, Área Metropolitana de Lisboa 239. Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas para os indivíduos com 18 ou mais anos; entrevistas telefónicas - metodologia CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing) do mesmo questionário devidamente adaptado ao suporte utilizado, ao sub-universo utilizado pela AXIMAGE nos seus estudos políticos, com preenchimento das mesmas quotas para os indivíduos com 50 e mais anos e outros. O trabalho de campo decorreu entre 19 e 24 de maio de 2022. Erro probabilístico: O processo amostral, não sendo aleatório, implica a não indicação do erro probabilístico. Contudo, para efeitos de comparação, para uma amostra probabilística com 805 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 3,45%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Ana Carla Basílio

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