Empresas, emprego e habitação: os problemas de Coimbra

Candidatos dizem que falta visão estratégica para que o concelho e a cidade possam sair do impasse e do declínio. Manuel Machado apresenta hoje as suas propostas.

Manuel Machado, que só apresenta esta terça-feira as suas propostas para Coimbra, disse (num comício recente onde esteve presente António Costa), estar de "alma e coração para continuar a valorizar Coimbra, que é o nosso desígnio".

O autarca recandidato ao terceiro mandato, que por questões de agenda não pôde responder ao DN, garantiu que desde 2013 houve melhorias na qualidade de vida, no emprego, na saúde, na ação social e no combate à pobreza em Coimbra.

Nesse dia, perante António Costa, voltou a reiterar a necessidade de o governo aproveitar "em pleno" o Hospital dos Covões, que está em processo de desmantelamento, e a necessidade "urgente" de ser construída a nova maternidade.

José Manuel Silva, candidato da coligação PSD-CDS/PP-Nós, Cidadãos-PPM-Volt-RIR-Aliança, quer acabar com a "a gestão opaca, a coligação PS/CDU que governa Coimbra e que a está deixar em declínio". "Coimbra tem instituições de renome no ensino superior, na saúde e uma ótima localização. Já foi a capital de Portugal, tem um património que não existe em nenhuma cidade portuguesa, temos um Mondego fantástico, podíamos ser a Florença do país... e estamos assim!", lamenta.

O candidato do movimento Juntos Somos Coimbra garante haver "um problema gravíssimo: temos duas maternidades à beira do colapso. E não investem, não há investimento porque estão à espera de uma nova maternidade que nunca mais chega. E depois há o Hospital dos Covões que está a ser desmantelado pelo PS". Colapso? Isso não é colocar a saúde dos utentes em perigo? "Pode começar a ser um grave problema de saúde pública. Escreva que eu disse isso. Sim... vai sendo progressivamente um problema de saúde pública."

José Manuel Silva promete "triplicar os meios financeiros das freguesias e só basta cumprir a Lei 57/2009. Não podemos sufocar as freguesias, elas são parceiras da câmara no desenvolvimento. Vamos exigir mais recursos, aproveitar ao máximo o Plano de Recuperação e Resiliência, exigir que a alta velocidade passe por Coimbra... não podemos ser ignorados". Coimbra, garante o candidato, terá de ser uma "primeira escolha para os investidores, uma primeira escolha para os jovens".

No extenso programa de "112 ações", na "visão estratégica" é explicado que a "coligação Juntos Somos Coimbra conduzirá à transformação e à revivificação de Coimbra enredando toda a cidade numa fervilhante filosofia CulTec, ou CoolTech, uma nova mentalidade estratégica, uma atitude proativa e cosmopolita, aberta ao mundo, às pessoas, às artes, à cultura, à inovação, às novas ideias, ao investimento e ao empreendedorismo, assente na vontade de fazer a diferença em direção ao futuro para promover o desenvolvimento sustentável de Coimbra, numa aposta de modernização e desburocratização da câmara e maximização da utilização de fundos europeus, gerando, amplificando e acelerando projetos e estímulos em todo o amplo espetro de competências da sociedade e das características distintivas de Coimbra, ouvindo e considerando os especialistas em todas as áreas, da cultura (cul) à tecnologia (tec)".

"Só melhorando e acelerando a organização camarária, captando mais investimento público e privado, estimulando a criatividade e a produção, criando mais riqueza e emprego é possível iniciar um ciclo de prosperidade, reconstrução e revivificação sustentável do concelho de Coimbra", afirma.

Francisco Queirós, vereador e candidato da CDU, com pelouros desde 2013, considera que a sua presença do executivo "obrigou o PS a seguir um caminho de desenvolvimento, que teria sido outro se tivessem maioria absoluta". E diz que "a CDU tem obra feita e reconhecida, com desempenho de funções executivas, em concreto, mas igualmente com trabalho na mobilização das populações em defesa dos seus direitos, na transmissão das suas reivindicações e na apresentação de propostas".

No seu programa com 14 eixos temáticos, que abrange áreas como educação, política fiscal, apoio social, etc., o candidato reivindica a "construção ou recuperação de 139 habitações para fins sociais e de outras 39 obras de recuperação energética".

Jorge Gouveia Monteiro, candidato do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), defende no seu programa cinco pilares (Cidadania, democracia e boa governação, Democratização cultural e educação emancipatória, Vida saudável num ambiente em equilíbrio, Economia e justiça social e Qualidade do viver) que "permitem a Coimbra ser uma cidade de projeto com visão estratégica".

A "criação do provedor no munícipe Ouvir as Pessoas, Decidir Melhor, que permita aproximar os cidadãos e as cidadãs do poder executivo e a promoção da intervenção cidadã nas políticas do município", "mobilização da cidade para o projeto Coimbra Capital Europeia da Cultura 2027, envolvendo ativamente todos os agentes culturais, escolas, empresas, associações e instituições", "apoio a projetos intergeracionais de integração de cuidados, em articulação com a comunidade, para prevenir a fragilidade/vulnerabilidade e promover a vida saudável e o envelhecimento ativo em plena integração com a sociedade e o território", "implementação de uma política fiscal municipal diferenciadora para estimular a criação de novos negócios na Baixa de Coimbra, com prioridade para os jovens, os desempregados e os empreendedores de idade maior", "melhoria e multiplicação de passeios pedonais, ciclovias e parques urbanos para estimular a mobilidade verde e a atividade física, evoluindo para o modelo de "cidade de 15 minutos", são algumas das medidas prioritárias.

Filipe Reis, candidato do PAN, apresenta como bandeiras eleitorais o "combate à crise social e às alterações climáticas, a mobilidade e a alimentação". Há cinco áreas no programa em destaque: ambiente, habitação, proteção animal, educação e economia. "Declaração conjunta da câmara municipal e da assembleia municipal da "emergência climática", com o compromisso de articular a execução das políticas públicas com o combate às alterações climáticas e à mitigação dos seus efeitos", "tornar Coimbra um município neutro em carbono até 2030", "elaborar um levantamento do parque habitacional público para identificação do seu estado de conservação e ocupação, a par do levantamento e análise das necessidades de habitação nas diferentes áreas urbanas", "garantir o acesso a pessoas com animais de companhia a todas as habitações municipais", "promover a criação de um centro de atendimento permanente no CROA - Centro de Recolha Oficial de Animais, destinado a animais errantes, abandonados ou detidos por pessoas em situação de especial vulnerabilidade socioeconómica", "alimentação escolar saudável, com produtos locais e opção vegetariana, investindo no regresso das cozinhas e cantinas escolares integradas", "criar um gabinete de captação de investimento em áreas entendidas pelo PAN como estratégicas, como sejam as das alterações climáticas, da tecnologia, da mobilidade e da alimentação", são algumas das propostas.

Miguel Marques, candidato do Chega, quer uma "Coimbra atrativa para empresas e para o emprego". Entre as muitas medidas apresentadas defende uma "feira de projeção nacional e internacional para promover as empresas do concelho e cativar novos investimentos", "apoios à habitação/alojamento de novos residentes, em particular os casais jovens até aos 35 anos" e a "criação de um programa de combate ao isolamento dos idosos do concelho".

Inês Tafula, candidata da coligação Coimbra é Capital (PDR/MPT), propõe, entre outras medidas, reindustrializar Coimbra, com medidas para impulsionar a fixação de empresas no concelho. "Coimbra perdeu a sua indústria nos últimos anos, por isso queremos voltar a colocar Coimbra no sítio que lhe compete, na área da industrialização e de empreendedorismo", afirma.

A candidata pretende criar um "contexto fiscal e administrativo atrativo", através de "medidas de fiscalidade municipal que incentive e fomente proativamente a atração de investimento".

O candidato da Iniciativa Liberal diz ser necessário tornar Coimbra uma "cidade-modelo na área da habitação". Tiago Meireles Ribeiro pretende efetuar o inventário de todo o património habitacional, desburocratizar e digitalizar processos e simplificar as decisões e conceder incentivos ao investimento, através de medidas fiscais atrativas.

O candidato defende a dinamização de zonas esquecidas da cidade, o combate ao alojamento ilegal e o aumento da oferta de habitação em quantidade e qualidade, incentivando a iniciativa privada.

"Se quisermos ter um papel no futuro e atrair e fixar jovens, precisamos de ter uma habitação com preços adequados à realidade", afirma.

artur.cassiano@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG