António José Seguro vai disputar Palácio de Belém com André Ventura.
António José Seguro vai disputar Palácio de Belém com André Ventura.Foto: Gerardo Santos

Presidenciais: António José Seguro diz que "teria conversa séria" sobre programa de governo de André Ventura

Candidato socialista disse à TVI que daria posse a um Executivo do Chega, mas com exigências quanto aos ministros e respeito à Constituição. Quanto ao Governo atual, não respondeu se esteve à altura.
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O candidato presidencial António José Seguro disse que, caso venha a ser eleito neste domingo, dará posse a um eventual futuro Governo de André Ventura, que é o seu rival na segunda volta. Mas acrescentou, numa entrevista à TVI, concedida a três horas do encerramento da campanha eleitoral, que o faria "com exigências" ao líder do Chega.

"Tinha que haver uma conversa séria sobre o Programa de Governo que iria apresentar", respondeu Seguro à jornalista Sandra Felgueiras, que lhe perguntara se faria "tudo o que está ao seu alcance para evitar que André Ventura fosse primeiro-ministro".

Entre as exigências, o antigo secretário-geral do PS, que é o claro favorito nas sondagens à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, disse que deveria existir "um filtro" nos ministros, sem especificar quais seriam as restrições que imporia, mas principalmente o respeito pela Constituição da República Portuguesa. "Para mim, não haverá governos inconstitucionais", defendeu.

"O papel do Presidente da República é, tendo em conta os resultados, ouvir os partidos políticos, e convidar quem estiver em melhores condições para formar Governo", disse António José Seguro, negando que, num cenário em que o Chega não tivesse maioria absoluta, se empenhasse na formação de uma "geringonça" entre outras forças partidárias. "A responsabilidade de formar maiorias é do Parlamento", disse.

Na entrevista à TVI, o candidato presidencial, que estava nos estúdios do Porto, preparando-se para o comício de encerramento da sua campanha, em Leça do Balio (Matosinhos), abordou a resposta às populações afetadas pelo mau tempo. "O Estado Português não está preparado e tem de estar preparado", disse, até porque "vamos ter mais situações meteorológicas severas e vamos tê-las com mais frequência".

Apesar disso, Seguro evitou críticas diretas à atuação ao Governo de Luís Montenegro. "A nossa prioridade é acudir às pessoas e às empresas e não apurar responsabilidades", referiu, sem dizer se, caso fosse já o Chefe de Estado, exigiria o afastamento da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, por ter admitido não saber o que tinha falhado.

Sobre a segunda volta deste domingo, que voltou a insistir não estar ganha à partida, pois "as sondagens não vencem eleições", Seguro disse que Ventura é um risco para a democracia, na medida em que "recorre a métodos que não são democráticos" e "tenta, no final do jogo, alterar as regras". Terá sido uma referência ao apelo, feito pelo líder do Chega, para que as eleições fossem adiadas para 15 de fevereiro, devido aos efeitos do mau tempo em diversas regiões no país, embora a entrevistadora não lhe tenha feito nenhuma pergunta sobre esse tema.

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