A ministra da Saúde recusou esta segunda-feira, 19 de janeiro, que exista caos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), negou que se desvalorize o que corre “menos bem” e reafirmou que não vai desistir do cargo.“Não é que a ministra não ouça as críticas. Mas desistir é coisa que não vai acontecer. Não nos comprometemos com o povo para, nas dificuldades, desistirmos dele”, assegurou Ana Paula Martins, durante uma intervenção no Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo.De acordo com a governante, tal “não implica que se desvalorize o que não corre bem”.“Sabemos o que não corre bem”, reconheceu.Lamentando críticas “injustificadas”, a ministra disse que a solução é “persistir” e manter o rumo.“É muito mais fácil fazer do SNS uma série de situações que acontecem, ainda. Mas estamos aqui para melhorar, para trabalhar sobre elas. Se não desistirmos e persistirmos vamos conseguir. Já temos alguns resultados”, afirmou."Os tempos de espera para a primeira observação reduziram"A ministra da Saúde lamentou ainda que circulem algumas “inverdades” sobre o Serviço Nacional de Saúde, assegurando que este ano diminuiu o tempo de espera para primeira observação durante a epidemia da gripe.“Este ano os tempos de espera para a primeira observação (triagem) reduziram. O SNS tem mostrado que está preparado para o que for necessário”, disse Ana Paula Martins em declarações aos jornalistas no Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo.Outra “inverdade”, para a ministra, refere-se ao excesso de mortalidade em Portugal. “Portugal tem um excesso de mortalidade que é comparável a alguns outros anos, por exemplo 2022/2023”, afirmou.Relativamente à epidemia de gripe, disse estar em causa um “percurso longo”, sendo necessário saber também como vai “evoluir o frio”. “Melhoramos [o SNS] de muitas e diversas maneiras, sobretudo tornando as urgências um local para os doentes urgentes”, vincou.Questionada sobre se se dirigia a algum candidato presidencial quando criticou acusações infundadas ao SNS, uma vez que a Saúde foi um dos temas abordados durante a primeira volta da eleição, a ministra recusou fazer comentários sobre os políticos.“O que quis dizer foi que não é um bom serviço que se presta a Portugal [dizer essas inverdades]”.Uma coisa “é apontar necessidade de melhorar de forma construtiva”.“Quando dizemos que nada funciona é o mesmo que dizer às pessoas o contrário do que as pessoas sentem. Assumir que o SNS e o sistema de saúde como um todo não dá resposta não é, na minha perspetiva, positivo e construtivo para o país”.Em causa, assinalou, está um “trabalho de grande qualidade, feito de forma muito humana e abnegada”.Segundo o Boletim de vigilância epidemiológica da gripe e outros vírus respiratórios do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) divulgado em dezembro, as infeções respiratórias graves continuam a aumentar em Portugal, sobretudo em idosos e crianças, com aumento de casos de gripe nos cuidados intensivos na semana passada e excesso de mortalidade por todas as causas.De acordo com o INSA, na semana 50 (8 a 14 dezembro), a mortalidade por todas causas registou valores acima do esperado em Portugal, tendo sido identificados excessos de mortalidade nas regiões Norte, Centro e Algarve, em ambos os sexos e nas pessoas com mais de 75 anos. .Montenegro diz que há “perceção de caos” no SNS mas que essa “não é a realidade” .Ministra da Saúde admite a existência de uma situação “muito crítica” no tempo de espera das urgências