António José Seguro tem falado, com insistência, no pacto para a Saúde. Ana Jorge, que esteve em comício na Lourinhã e no dia da passagem à segunda volta, nas Caldas da Rainha, acompanha o socialista e é um nome importante na estratégia para o setor. Pelo que o DN sabe, o PS recusa, de início, a revolução com a nova Lei de Bases que o Governo quer avançar, contestando-a de tal modo que quis - e conseguiu - que ficasse fora do Orçamento do Estado. Seguro alinha pelo mesmo barómetro. “É difícil, face ao contexto em que se está, não só de desorganização, mas também pela falta de recursos humanos, fazer uma reforma de maneira a garantir que todos tenham acesso ao Serviço Nacional de Saúde. Isso é muito complicado sem fazer um pacto entre os principais partidos. É preciso que, principalmente os que pertencem ao chamado ‘arco da governação’, não procurem alterações constantes, imediatas, sempre que há alterações governativas. É o que tem acontecido nos últimos anos. As reformas, do ponto de vista dos cuidados de saúde, que mais obtiveram resultados foram as políticas que se mantiveram independentemente de quem era o ministro da Saúde. Penso que António José Seguro vai fazer esses esforços no sentido da estabilidade”, advoga a ex-ministra dos Governos de José Sócrates, que sucedeu a Correia de Campos em 2008 para concluir a legislatura e ficar na seguinte até 2011.A ex-líder da tutela, tal como Adalberto Campos Fernandes, tem visão sobre a área. Ana Jorge acha que “não é preciso alterar a Lei de Bases da Saúde para poder fazer, nomeadamente as parcerias público-privadas que a direita tem defendido muito, uma vez que a colaboração com o setor privado sempre aconteceu e está prevista dentro do Serviço Nacional de Saúde numa série de áreas”, considera.Ana Jorge presta elogios à “grande experiência” de Luís Cabral, novo diretor do Instituto Nacional de Emergência Médica desde novembro, reiterando que “a mudança nos resultados não se vê de um dia para o outro”. Para a socialista o maior problema está na linha SNS24, dadas “as muitas atribuições que lhe deram e às quais não consegue responder por falta de investimento em recursos humanos e na plataforma digital”.Classifica como “exagero” as duas dezenas de alterações nas administrações hospitalares desde que Ana Paula Martins é ministra e lamenta decisões políticas. “Havia vontade, tanto quanto sei, de a ministra colocar pessoas que fossem da área política do PSD. Está no seu direito, nomeadamente quando acabam o mandato. Agora, se a administração está a proceder bem, penso que deverá ser de manter, porque a administração de um hospital é, fundamentalmente, técnica. Desde que as pessoas não se oponham às orientações do ministério não há razão para mudar”, critica. .Ana Jorge lamenta decisões políticas de Ana Paula Martins. “Pelo que sei, havia vontade [da ministra] em colocar pessoas da área política do PSD”, critica a socialista.Duas dezenas de mudanças nas administrações hospitalares.Cortes na Saúde "são possíveis, mas têm de ser cirúrgicos”, avisa Ana Jorge. E dá exemplos de tarefeiros, exames e combate à fraude .AD e Chega querem mexer na Lei de Bases da Saúde. PS “não pode concordar”.Seguro diz estar "ansioso pela primeira reunião" com Luís Montenegro e promete "Saúde como prioridade"