PCP reafirma. Acordos com o PS só "caso a caso"

Jerónimo de Sousa explicou hoje de viva voz ao Presidente da República a posição do PCP sobre entendimentos com o PS na próxima legislatura.

"Caso a caso". O secretário-geral do PCP voltou hoje a reafirmar a indisponibilidade do seu partido para um compromisso escrito com o PS tendo em vista a próxima legislatura.

Depois de uma audiência em Belém com o Presidente da República, Jerónimo de Sousa insistiu na ideia de que o seu partido afirmará sempre uma "posição própria e independente" face ao PS.

O PCP - disse - vai "manter disponibilidade para negociar". Mas será de acordo com o seu programa. "Não estaremos contra aquilo que for positivo", disse ainda.

Jerónimo de Sousa disse que quem "pode provocar instabilidade será o PS, se não resolver uma série de problemas adiados", como a necessidade de mais recursos humanos no SNS, de aumentos salariais na Administração Pública, na Defesa e nas forças de segurança, ou ainda a necessidade de elevar o salário mínimo nacional até aos 850 euros (está em 600, atualmente).

"Não há necessidade de outro posicionamento ou de qualquer papel, não tem sentido, tendo em conta esta realidade e esta posição do próprio Presidente da República."

O secretário-geral do PCP realçou que o Presidente da República não exigiu "qualquer papel" - ou seja, um acordo escrito entre o PCP e o PS - para indigitar António Costa a formar Governo.

Para o PCP, é "claro e óbvio" que dos resultados das eleições resulta a indigitação do secretário-geral do PS, António Costa, como primeiro-ministro, e "não há necessidade de outro posicionamento ou de qualquer papel, não tem sentido, tendo em conta esta realidade e esta posição do próprio Presidente da República", defendeu.

Questionado se a falta de um acordo escrito com o PS não trará instabilidade, Jerónimo de Sousa respondeu: "Não. Creio que não foi esse papel que determinou o desenvolvimento dos processos legislativos, das alterações que se verificaram, designadamente no exame comum das propostas de Orçamento do Estado, em que houve, de facto, convergência em relação a direitos importantes que foram concretizados".

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