Francisco Rodrigues dos Santos: O jovem "influente" da Forbes que chega a líder do CDS

Há dois anos, a prestigiada revista Forbes elegeu-o como um dos "30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa". E Francisco Rodrigues dos Santos, de 31 anos, de presidente da Juventude Popular conseguiu mesmo chegar à liderança do CDS. Mas quem é este assumido conservador, que que quer recolocar o partido como a "âncora da direita"?

Não gosta que publicamente lhe chamem "Chicão", alcunha que lhe veio do tempo de estudante, mas acabou por ficar assim conhecido. Um diminutivo que, afinal, até não se coaduna muito com o seu percurso político e que o fez sucessor de Assunção Cristas. Muito antes de se assumir como candidato, Francisco Rodrigues dos Santos não afrontou a direção de Cristas, mas foi tomando posições e apontando os "erros" cometidos.

"O CDS deve ser uma direita que não tem problemas em ser disruptiva, uma direita que não tem medo de ser inconveniente, de atentar às vezes contra o establishment, contra algumas elitezinhas de esquerda gourmet, socialista, bem pensante. É um partido que vem para agitar as consciências, mas ao mesmo tempo é um partido que é moderado". Em entrevista ao Sol, projetava assim o partido que vai liderar.

E espelhou essa vontade de ser inconveniente quando no verão passado se manifestou contra "as investidas de aventureiros radicais que pretendem transformar o Ensino em Portugal na sua 'rave' privada". Insurgia-se contra a um despacho do governo que permitia às escolas, entre outras coisas, criar casas de banho para alunos transgénero. O CDS de Cristas ficou incomodado, mas acabou por ir a reboque.

O advogado, formado na Faculdade de Direito de Lisboa, e até agora líder da Juventude Popular, que gosta de Zeca Afonso, nasceu em Coimbra em setembro de 1988, mais velho de três irmãos é filho de uma advogada e de um oficial do exército.

Foi aluno no Colégio Militar durante oito anos, onde diz que lhe transmitiram os códigos de honra. A distinção da Forbes justificou-se pelo facto de ter conseguido a JP a chegar aos 20 mil filiados e a duplicar o número de eleitos pela jota. Um feito que lhe valeu agora no congresso de Aveiro o apoio à sua candidatura contra João Almeida, visto como o candidato da continuidade.

Os primeiros combates políticos deram-se na associação de estudantes e a filiação na JP aconteceu apenas em 2007, tendo chegado a em 2015. "Fui investigar, li as cartas de princípios do CDS e PSD - e a do PS só por curiosidade - e percebi com quem mais me identificava", disse. Admirador confesso de Paulo Portas, tem referências em Margaret Thatcher, Ronald Reagan e Winston Churchill.

"O CDS deve ser uma direita que não tem problemas em ser disruptiva, uma direita que não tem medo de ser inconveniente, de atentar às vezes contra o establishment, contra algumas elitezinhas de esquerda gourmet, socialista, bem pensante. É um partido que vem para agitar as consciências, mas ao mesmo tempo é um partido que é moderado"

Foi conjugando a advocacia no escritório Valadas Coriel & Associados com a liderança da JP e de hobbies eleitos tem o gosto pelo cinema e pelos livros de história, política e biografias e a música. Aqui o gosto é eclético: Coldplay, Beatles, Queen, Pearl Jam, Rui Veloso, Samuel Úria, B Fachada e Zeca Afonso. A paixão desportiva vai para o Sporting, onde chegou a ser membro do Conselho Diretivo do clube.

Conservador nos costumes, eloquente nos discursos, diz que vai ser oposição ao PS, mas manterá o diálogo necessário para que as propostas do CDS vinguem no Parlamento. Assegura que deixará de for a da sua agenda posições sobre a adoção gay ou a criminalização do aborto.

"Sou cristão, mas não sou padre. Escolho aquilo que faz sentido", disse numa conversa com Daniel Oliveira, antigo dirigente do Bloco de Esquerda, para o podcast "Perguntar não ofende", onde também disse que não tem preconceitos contra a orientação sexual de cada um e acredita "no amor entre duas pessoas do mesmo sexo".

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