Novas fardas do Exército. O mesmo modelo para eles e para elas

O novo Regulamento de Uniformes do Exército substitui a tradicional farda verde, em uso desde a guerra colonial, por uma cinzenta. Os novos modelos não fazem distinção por género.

A farda verde com boina castanha do Exército, em uso desde a guerra colonial, vai ser substituída nos próximos quatro anos por uma cinzenta com boina preta, que tanto pode servir como uniforme de representação (n.º 1) ou de serviço (n.º 2) consoante se use casaco ou blusão.

O processo de substituição deverá iniciar-se ainda este ano e na categoria de praças, a única que ainda só tem uniformes verdes. No caso dos oficiais e sargentos, os dos quadros permanentes (ao contrário dos voluntários e contratados) já têm fardas cinzentas - embora num tom mais claro que também irá desaparecer - que podem ser mudadas numa fase posterior do período de transição, explicou fonte oficial do Exército ao DN.

O fim da farda verde consta do novo Regulamento de Uniformes do Exército (RUE) publicado no início de outubro, mas que abrange também o camuflado (uniforme n.º 3) de combate: as atuais duas versões (uma para ambientes desérticos e outra para ambientes de selva) vão dar lugar a um modelo "multiterreno" - adaptável aos diferentes teatros de operações - e que tem sido testado pelos contingentes enviados para o Iraque.

O RUE abrange sete tipos de uniformes, desde os de cerimónia (grande uniforme e jaqueta) aos de saída (n.º 1), de serviço (n.º 2), o camuflado (de campanha e de guarnição), o de instrução (n.º 4) e o de treino físico (n.º 5).

O uso da farda verde estava já limitado às unidades sem forças operacionais, basicamente Estado-Maior, comandos funcionais (como os do Pessoal ou da Logística) e direções de serviços (Finanças, Saúde) ou Academia Militar, referiu a porta-voz do Exército, major Elisabete Silva.

No caso dos camuflados, a atual versão mais esverdeada (selva) vai manter-se em uso para efeitos de formação, dados os custos elevados do novo modelo - nomeadamente o de combate, pelo que o de guarnição para uso nas unidades terá menos especificações para ser menos dispendioso, adiantou Elisabete Silva.

Uniformizar o aspeto dos militares independentemente da modalidade de serviço para não se distinguirem, por exemplo, os oficiais dos quadros permanentes (que já vestem de cinzento claro) com os do voluntariado e contrato (verde), foi um dos critérios da mudança agora aprovada.

Outro exemplo de uniformização é o das boinas, uma vez que as atuais castanhas apresentavam diferentes tonalidades em função do seu uso e do próprio fabricante - como era visível nas formaturas, precisou Elisabete Silva.

Esse aspeto da uniformização levou à adoção de um critério que abrange os militares das forças especiais - comandos, paraquedistas, rangers - colocados fora das suas unidades de origem: têm de usar as boinas pretas com o símbolo do Exército a exemplo dos restantes militares, embora mantenham os respetivos símbolos e crachás nos uniformes.

Economia de custos (menos diversidade de uniformes) e melhor integração de género - modelos que se adaptam a homens e mulheres devido ao seu desenho e materiais de fabrico - foram outros dois critérios na base deste processo de mudança dos uniformes do Exército, acrescentou a porta-voz do Exército.

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