Morreu o ex-ministro e bastonário dos advogados Júlio Castro Caldas

O advogado morre aos 76 anos. Presidente Marcelo Rebelo de Sousa presta "sentida homenagem".

Júlio de Lemos de Castro Caldas, ex-ministro da Defesa e bastonário da Ordem dos Advogados, faleceu no Hospital da CUF Infante Santo, aos 76 anos, onde estava internado há semanas, segundo a TSF. Marcelo Rebelo de Sousa, em nota publicada na página da Presidência, destaca o seu percurso na "defesa da liberdade e da democracia". "Ao lembrar a antiga amizade, o Presidente da República presta-lhe sentida homenagem."

Por sua vez, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, destaca a generosidade e dedicação política de Castro Caldas. "Foi um grande profissional, um homem muito generoso, sempre dedicado e empenhado politicamente", nomeadamente enquanto ministro da Defesa do Governo de António Guterres", afirmou António Costa no Porto, em declarações aos jornalistas à entrada da reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista.

Nascido em Lisboa, Castro Caldas licenciou-se pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1966 e iniciou atividade enquanto advogado em 1968. Ainda antes do 25 de Abril fez parte do grupo fundador da Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social. Foi deputado pelo PSD no círculo de Viana de Castelo na primeira e segunda legislaturas (1979-1983).

Desempenhou as funções de ministro da Defesa entre outubro de 1999 e julho de 2001 no governo liderado por António Guterres. Neste período envolveu-se numa polémica com o então Presidente da República, Jorge Sampaio. Em janeiro de 2001, Castro Caldas afirmou que Sampaio estava informado dos riscos para os militares portugueses da utilização de munições com urânio empobrecido, algo que foi desmentido pelo Presidente. Após a aprovação de cortes no Ministério da Defesa, no Orçamento retificativo, que deixaram o setor numa "situação limite", como disse o próprio ministro na altura, Castro Caldas pediu para sair na remodelação governamental.

Voltou à advocacia, onde foi sócio da CSA - Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados.

Castro Caldas exerceu também o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados durante cinco anos, entre 1993 e 1998, tendo sucedido à primeira bastonária, Maria de Jesus Serra Lopes, e precedido António Pires de Lima.

A Ordem dos Advogados emitiu uma nota de pesar em nome do atual bastonário, Guilherme Figueiredo, e do conselho geral da instituição.

Castro Caldas presidiu ao conselho de administração do ramo em Portugal do Banco Bilbao Viscaya e foi administrador e presidente da assembleia geral de várias empresas, como a OGMA. Foi aí que se cruzou com o atual ministro da Defesa, João Gomes Cravinho. Este lembrou no Twitter o "homem brilhante" e "defensor do interesse público".

Ainda não foi divulgada informação sobre as cerimónias fúnebres.

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