Militares portugueses em troca de tiros após emboscada na República Centro Africana

Uma coluna de militares portugueses na República Centro Africana sofreu uma emboscada, em 26 de setembro, em Yadé, norte de Bangui, por "um grupo armado", não se tendo verificado baixas entre a força nacional

O Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA) confirmou, em comunicado, este incidente durante uma missão do contingente português, que é a força de intervenção rápida da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA).

Os militares portugueses foram destacados para "proteger a população contra a postura ofensiva de um dos grupos armados existentes na RCA" e a missão prolongou-se de 23 a 30 de setembro, ainda segundo o mesmo comunicado.

À chegada a Yadé, a norte de Bangui, a capital, foi observada, por "drones" do Exército português, "a fuga precipitada de vários elementos, pertencentes ao grupo armado opositor".

Nessa altura, "uma das colunas da força foi emboscada", com a deflagração de um "engenho explosivo", acompanhada "de fogo de armas ligeiras" sobre a força de reação rápida.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo e por 14 grupos armados. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da missão das Nações Unidas, cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde está a 6.ª Força Nacional Destacada (FND), e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo 2.º comandante é o coronel Hilário Peixeiro.

A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea.

Na RCA estão também oito elementos da Polícia de Segurança Pública.

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