Militares na RCA. Uma semana de treino intenso e mais apoio à população

Após semanas de operação contra grupos armados no interior da República Centro Africana, "capacetes azuis" portugueses estão agora "em fase de regeneração"

Os "capacetes azuis" portugueses passaram esta semana em treinos intensos e iniciativas de apoio às populações na capital da República Centro-Africana (RCA), após semanas de combates no interior do país, disse este sábado fonte oficial.

"Desde que regressamos a Bangui, depois de 30 dias em operações no interior da RCA, temos estado numa fase de regeneração", explicou ao DN o comandante do contingente português, tenente-coronel João Bernardino.

"Para além de dar algum descanso e recuperar as forças, os militares portugueses executam a manutenção e recuperação das viaturas, armas e todos os equipamentos" a fim de estarem em "perfeitas condições quando formos chamados novamente a intervir", adiantou o oficial.

Contudo, os militares continuam em elevado estado de prontidão para intervirem de imediato em qualquer ponto da RCA porque atuam como Força de Reação Rápida (QRF, sigla em inglês) da ONU - daí os "treinos de táticas, técnicas e procedimentos, bem como exercícios de tiro real" para que "todas as armas estejam perfeitamente ajustadas ao atirador", referiu João Bernadino.

"Temos de ter a capacidade de, num curto espaço de tempo, responder prontamente a qualquer solicitação por parte do comandante militar" da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), "para fazer face a uma situação critica de segurança em qualquer parte do país", insistiu o oficial paraquedista.

Note-se que esta terceira Força Nacional Destacada (FND) na RCA foi reforçada há dias com mais cinco viaturas blindadas, devido ao desgaste e mesmo inoperacionalidade temporária de algumas devido ao esforço mecânico e à quantidade de tiros de que têm sido alvo.

Certo é que "temos sentido o apoio incondicional da nossa cadeia de comando relativamente às nossas necessidades, para que a missão e a segurança dos nossos militares estejam sempre salvaguardadas", assegurou o oficial.

"O facto de nos movimentarmos do campo onde nos encontramos para os locais onde executamos os nosso treinos é, por si só, já um fator dissuasor", garantiu, pois os grupos armados que atuam na capital "sabem que a QRF portuguesa está de regresso a Bangui" e pronta "para responder a qualquer situação ou ir em reforço" dos outros contingentes de "capacetes azuis" que patrulham diariamente a cidade.

Entrega de donativos

O próprio João Bernardino liderou esta semana uma operação de entrega de material escolar e desportivo a cerca de 750 crianças e professores numa escola de Bangui.

Os donativos (canetas, lápis, mochilas, cadernos, fatos de treino, bolas) foram recolhidos durante o semestre de aprontamento que antecedeu a partida do 3º contingente português para a RCA, em março passado.

Esse contacto voluntário com as populações, identificado pelo acrónimo CIMIC (civis-militares), é uma das imagens de marca dos contingentes militares portugueses envolvidos em missões humanitárias e de paz desde 1996, na Bósnia-Herzegovina (também com uma força de paraquedistas e que marcou o regresso das Forças Armadas portuguesas aos teatros de operações europeus desde a Grande Guerra).

Isso "mostra o calor humano que só nós, portugueses, sabemos transmitir" e que, numa missão "muito exigente e extenuante" de seis meses, "ajuda a combater a distância de casa" e das famílias, concluiu João Bernardino.

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