Maçonaria. Grão-mestre do GOL recusa recandidatar-se

Aproxima-se do fim a história do mais longo reinado na liderança do Grande Oriente Lusitano, a mais antiga e influente obediência maçónica em Portugal

Para que não se continuem a alimentar "ambiguidades, inverdades, sussurros, notícias inexatas ou perturbadoras", o grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima Valada, comunicou por escrito a todos os membros da obediência a sua "total indisponibilidade" para voltar a ser candidato à liderança da organização.

A mensagem tem data de há uma semana e chegou nesta terça-feira às caixas de correio eletrónico dos membros do GOL.

A eleição será a 6 de junho e já há dois maçons interessados em avançar: Daniel Madeira de Castro, economista, tido como próximo do PSD; e Fernando Cabecinha, também economista, este sim militante do PSD, antigo número dois do atual grão-mestre, Fernando Lima Valada, quando este dirigiu a Galilei (ex-Sociedade Lusa Negócios, holding dona do BPN) e ex-presidente da Grande Dieta (o "parlamento" interno da organização).

Fernando Lima Valada tornou-se grão-mestre em 2011 e foi reeleito em 2014 e 2017 - uma liderança com uma duração sem precedentes no GOL (onde não há limitação de mandatos).

Em dezembro passado, numa "Mensagem do solstício de inverno de 2019", dirigida a todos os membros do GOL, o grão-mestre assumiu estar em "reflexão".

"O meu único compromisso é com o Grande Oriente Lusitano, de que devo ser o centro de união, no que sou coadjuvado pelos grão-mestres adjuntos e o Conselho da Ordem, com quem farei a avaliação do trabalho desenvolvido", escreveu.

Prosseguindo: "Uma reflexão que será feita no tempo certo, sem precipitações, sem pressões extemporâneas ou impulsos de momento, em total liberdade, com total responsabilidade e sem que nos deixemos condicionar pelo que quer que seja". Enfim: "Uma reflexão de que retiraremos, enquanto coletivo, todas as consequências e com base na qual assumiremos, eu e a equipa a que presido, todas as nossas responsabilidades."

A eleição será em 6 de junho - com duas voltas, se nenhum dos candidatos obtiver maioria absoluta dos votos na primeira eleição - mas entretanto a direção do GOL vai-se multiplicando em iniciativas.

Para os próximos dias 13 e 14 de março foi convocado o 16º congresso do GOL - uma reunião não eletiva e subordinada ao tema "A contribuição da maçonaria na construção do futuro da dignidade humana".

O congresso decorrerá em Lisboa - mas fora da sede do GOL no Bairro Alto, o Grémio Lusitano. A participação estará reservada exclusivamente a "maçons ativos do Grande Oriente Lusitano" - exceto num jantar de confraternização marcado para dia 14, onde os participantes poderão levar convidados ("jantar branco", no léxico maçónico).

O tema da reunião será o anunciado, mas a verdade é que, dentro do GOL, o momento é visto como ideal para os pré-candidatos e outros eventuais interessados avaliarem a força que têm ou não têm para enfrentar a batalha pela liderança do GOL. Em linguagem partidária, um momento ideal para a chamada "cacicagem".

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