Sindicato dos Jornalistas condena ação de Joacine. Deputada exige respeito

"A decisão da deputada atenta contra a liberdade de imprensa e revela uma prática anti-democrática", aponta o sindicato. Já a deputada do Livre exigiu respeito por parte dos jornalistas.

O Sindicato dos Jornalistas condena a ação da deputada Joacine Katar Moreira de recorrer a proteção da GNR na Assembleia da República. "O Sindicato dos Jornalistas ( SJ) não compreende a atitude hoje tomada pela deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, de pedir proteção à GNR, dentro da Assembleia da República, de forma a impedir os jornalistas de a questionarem", lê-se numa nota publicada no site do sindicato.

Neste comunicado, o órgão sindical diz que "a decisão da deputada atenta contra a liberdade de imprensa e revela uma prática anti-democrática tomada dentro da própria Casa da Democracia", acrescentando que "os jornalistas têm direito a exercer a sua profissão, a qual implica o acesso a fontes e protagonistas das notícias, através da colocação de perguntas".

O SJ "espera que o Presidente da Assembleia da República tome as devidas medidas para que o caso não se repita" e "considera, ainda, fundamental que as direções dos órgãos de comunicação social - não apenas dos diretamente visados no sucedido, mas de todos, porque hoje são uns e amanhã serão outros - adotem uma resposta firme e coletiva perante toda e qualquer tentativa de limitar a liberdade de questionar e informar".

Antes, a deputada do Livre tinha exigido respeito aos jornalistas.

"Eu acho que é necessário nós começarmos a respeitarmo-nos uns aos outros. Se vos foi avisado, antecipado, que eu ontem [terça-feira] não iria efetuar, dar entrevista absolutamente nenhuma, o que se espera é que haja respeito", limitou-se a afirmar a deputada, à saída da sessão plenária da Assembleia da República dedicada ao debate quinzenal com o primeiro-ministro.

Joacine Moreira respondia a perguntas dos jornalistas sobre o caso da aparente "escolta" de que foi alvo, na terça-feira no parlamento, por um graduado da Guarda Nacional Republicana até à saída do Palácio de São Bento, quando estava a ser questionada por um repórter da televisão SIC.

Esta quarta-feira, a secretaria-geral da Assembleia da República esclareceu que os oficiais da GNR de São Bento só podem acompanhar os deputados quando estiver em causa a sua segurança.

Os elementos da GNR "só podem intervir quando estiver em causa a segurança dos senhores deputados", disse à agência Lusa o secretário-geral da Assembleia da República, Albino Azevedo Soares, ao abordar o sucedido.

A pedido do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o secretário-geral solicitou aos serviços de segurança do parlamento para explicarem o caso da aparente escolta de Joacine Moreira e do seu assessor, Rafael Esteves Martins, nos corredores de São Bento e que a SIC reproduziu nos seus noticiários de terça-feira.

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