Sócrates promete escrever livro sobre "traição" do PS na Operação Marquês

"O PT manteve-se sempre ao lado de Lula. A primeira coisa que o PS fez foi procurar afastar-se", afirma José Sócrates em entrevista ao Folha de São Paulo

José Sócrates vai escrever um novo livro onde promete abordar a forma como o Partido Socialista lidou com o processo da Operação Marquês e a acusação que o ex-líder socialista é alvo. Foi o antigo primeiro-ministro quem o revelou numa entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, que tem o título "PT segue com Lula mas o Partido Socialista me deixou". Na conversa, Sócrates diz que há muitas semelhanças entre o seu caso e o de Lula, classificando ambos de perseguição inquisitorial.

Na vertente política, o arguido acusado de 31 crimes de corrupção, entre outros, deixa fortes críticas ao PS e promete que o assunto a este nível não vai morrer aqui. "A diferença é que o PT manteve-se sempre ao lado de Lula. A primeira coisa que o Partido Socialista fez foi procurar afastar-se. A verdade é que o PS, ao longo dos dois anos, foi cúmplice de todos os abusos", afirma José Sócrates, ressentido pela forma como António Costa e a direção do PS se posicionou.

"Eu nunca pedi ao PS me defendesse mas nunca pensei que fosse o Partido Socialista a atacar-me a um ponto que me levasse a ter de defender a minha dignidade tendo de me desligar do partido", acrescentou.

E questionado se considera ter sido vítima de uma traição, Sócrates revela que mais tarde irá escrever um livro sobre o tema. "Há uma dimensão política e uma dimensão pessoal. A traição tem uma dimensão pessoal. Não quero fazer este comentário. Um dia fá-lo-ei. Mas para já não vem a propósito. Vou escrever um livro sobre isto", respondeu ao Folha de São Paulo.

Janis Joplin e a liberdade

Sobre as acusações de que é alvo, e numa fase em que se aguarda o sorteio do juiz que irá dirigir a fase de instrução na Operação Marquês, Sócrates volta a atacar a justiça e reafirma que não há provas que sustentem a acusação do Ministério Público. Carlos Alexandre volta a estar na mira por ser o "juiz do Ministério Público" e por ter sido escolhido sem sorteio em 2014 quando ouviu o ex-líder do PS no primeiro interrogatório após a detenção.

Apesar de todas as críticas, Sócrates acaba por dizer que houve um lado positivo na investigação da Operação Marquês, uma forma de libertação, e para o explicar cita uma canção de Janis Joplin e a parte da letra "freedom's just another word for nothin' left to lose" - "Quer dizer, a liberdade é outra forma de dizer que nós não temos nada a perder", disse.

Comparando várias vezes a sua situação com a de Lula, José Sócrates diz que "Lula mostrou ao mundo que a esquerda latino-americana sabe governar" e afirmou que Jair Bolsonaro é o candidato da direita: "É isto em que realmente acreditam: na tortura, na violência, em tudo o que seja autoritarismo." As eleições presidenciais serão "um julgamento popular" e o momento para o povo brasileiro se "levantar e dizer que é soberano"

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