Rui Rio: "Governo semeou alarmismo na sociedade"

Presidente do PSD diz que, por fim, executivo entrou no bom caminho no que respeita à greve dos motoristas de matérias perigosas depois de ter "montado um circo mediático"

O líder social-democrata, em conferência de imprensa, disse que por fim o "governo está a seguir o caminho certo", depois de "ter montado o circo mediático" e reagiu às críticas de que se manteve em silêncio quanto à greve dos motoristas de matérias perigosas e à crise energética consequente.

Rui Rio disse que por três ocasiões, nos dias 8, 10 e 14, já tinha defendido procurar evitar o conflito social e defendido a mediação. "O governo optou por fazer exatamente o contrário, isto é, não fazer mediação. Colocou-se de um dos lados da barricada, disse que mediava e ia semeando o alarmismo na sociedade, os ministros davam a greve como inevitável." E prosseguiu: "O ministro da Defesa anunciava dramaticamente a requisição das forças armadas, o ministro da Administração Interna anunciava a requisição da GNR, o governo apelava aos portugueses para atestar os depósitos dos automóveis."

Para o líder do PSD, o governo apercebeu-se de que a greve era impopular e não procurou evitar o conflito para tirar dividendos políticos. "É tudo um filme que já tínhamos visto em versão parecida antes da europeias no dossiê sobre os professores. O governo montou um clima adequado para fazer medidas punitivas para demonstrar que é forte e é capaz de meter o sindicato na ordem."

No entanto, afirmou, as "pessoas começaram a entender que governo não é isento e que assim não é possivel ser arbitro. E ao quarto dia muda de estratégia, levanta o circo e adoçou o discurso. com o diálogo mais imparcial. E os resultados começaram a aparecer: suspensão da greve e diálogo. O PSD sempre defendeu isto."

Apesar de considerar que o governo socialista está agora a agir de forma correta, condena o executivo por ter estado "mais preocupado com a popularidade do que com os portugueses e com a economia nacional". "O clima pré-eleitoral não favorece a sensatez", lembra, pelo que "o PSD apela à boa-fé de ambas as partes e à isenção do governo".

Por fim, Rio sugeriu ao primeiro-ministro para recorrer ao Presidente da República, caso o governo seja incapaz de arbitrar o conflito. "É o único recurso que temos."

Rio, que se mostrou surpreendido pela "falta de dignidade das condições de trabalho" dos motoristas, reiterou que o PSD "não participa em circos" e que com a sua liderança os assuntos são tratados "de forma frontal e sem habildiades políticas". "Esta forma de atuar do governo custaram demasiado prejuízos e demasiado alarme social. É caso para dizer: não havia necessidade", conclui.