Pedro Duarte desafia liderança de Rui Rio

Antigo presidente da JSD afirma que os sociais-democratas precisam de uma nova estratégia

O diretor de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa e antigo presidente da JSD, Pedro Duarte, desafia a liderança de Rui Rio no PSD e defende uma nova estratégia para o partido.

Pedro Duarte, atualmente sem cargos no partido, defende em entrevista ao Expresso que está este sábado nas bancas que "o PSD, tão cedo quanto possível, deve mudar de estratégia e de liderança".

E justifica: "O PSD desistiu de apresentar uma alternativa ao PS e está empenhado em substituir o BE e o PCP no apoio ao Governo socialista".

Diz mesmo que esta estratégia (de Rui Rio) não foi sufragada nas eleições diretas do partido e que "os militantes pensavam estar a escolher um candidato a primeiro-ministro, mas na verdade escolheram um candidato a vice-primeiro-ministro".

Quando questionado sobre se está disponível para ser candidato à liderança contra Rui Rio responde sem rodeios: "Sim. Estou preparado para liderar uma nova estratégia no PSD e uma nova esperança para o país, em nome do interesse nacional".

"Não contesto a legitimidade formal (de Rio), mas contesto a sua legitimidade política"

Em vários momentos da entrevista, o ex-deputado explica que o problema não está na opção estratégica de Rui Rio, mas sim no facto de essa estratégia não ter sido sufragada pelos militantes.

"Não peço a Rui Rio que mude as suas convicções. Coisa diferente é ele ter sentido democrático e submeter essa sua visão ao sufrágio de quem ele tem de representar, tendo em conta que não foi isto que o PSD sufragou há poucos meses. Eu não contesto a sua legitimidade formal, mas contesto a legitimidade política", afirma Pedro Duarte.

O antigo secretário de Estado da Juventude do Governo de Durão Barroso diz não ter pensado como é que pode forçar este novo debate interno no partido, recusando criar manobras conspirativas, mas disponível para afirmar o que pensa e "desafiar a liderança do PSD e o partido para que faça esta reflexão".

Rui Rio foi eleito presidente do PSD em 13 de janeiro, em eleições diretas, derrotando com 54% dos votos Pedro Santana Lopes, completando no domingo 100 dias em funções.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.