Mário Centeno atira-se ao CDS por acusação "intolerável"

Em causa está uma audição do ministro sobre impostos europeus, que o CDS pediu a 1 de fevereiro e ainda não aconteceu. Mas governante lembra que já foi várias vezes à Assembleia da República responder aos deputados.

Quando Mário Centeno participar nesta quarta-feira numa audição conjunta das comissões de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa e da de Assuntos Europeus, na sexta vez em que vai ao Parlamento prestar contas desde o início do ano de 2019, já fez chegar uma resposta dura por carta ao CDS, - a que o DN teve acesso - por os centristas se terem queixado de "desrespeito" do governante.

Os centristas manifestaram, no final do mês de fevereiro, a sua indignação por Centeno se recusar a ir a uma audição pedida pelo CDS para discutir a criação de impostos europeus. O líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, pediu mesmo a intervenção direta do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues. A 27 de fevereiro, o CDS queixava-se de que o adiamento sucessivo da audição se traduzia num "desrespeito pela Assembleia da República", numa carta revelada pelo Observador.

Agora, numa carta enviada à Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares, para responder ao requerimento centrista, Mário Centeno notou que os centristas estão a fazer um "aproveitamento político", que "é inaceitável".

Recuperando vários exemplos das suas presenças no Parlamento, o ministro das Finanças diz que é "incompreensível e intolerável" que "seja acusado de falta de respeito institucional perante a Assembleia da República". Mais: segundo Centeno, "a realização de um mero episódio mediático por parte de um grupo parlamentar não pode valer para atentar contra a probidade de um membro do governo na sua relação com o Parlamento".

Os centristas, recorda o governante, fizeram o pedido de audição a 1 de fevereiro e puderam questioná-lo logo numa audição regimental a 6 do mesmo mês. "É precisamente essa faculdade que a abrangência das audições regimentais permite", aponta Centeno, que nessa audição - juntamente com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - "teve oportunidade de dar resposta às questões do CDS-PP". Também o primeiro-ministro já foi questionado em debates quinzenais pela presidente centrista, Assunção Cristas.

Centeno puxa ainda da sua agenda: "Desde a audição de 6 de fevereiro, o senhor ministro das Finanças já participou em outras três audições em comissões da Assembleia da República." E, indigna-se o ministro, ele próprio já esteve em "mais de 55 audições" que decorreram "na presente legislatura".

Para o governante, "sem prejuízo" da audição "que já está agendada", "caso o CDS-PP procurasse, efetivamente, trazer o tema a debate, os seus deputados tiveram já a oportunidade de questionar o primeiro-ministro e o ministro das Finanças".

A cereja no topo do aproveitamento político pelo CDS mede-se, de acordo com Mário Centeno, pelo facto de, no mesmo dia 27 de fevereiro, em que Nuno Magalhães tornou público o requerimento, o ministro ter-se deslocado "ao Parlamento para uma audição na comissão de Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, precisamente a requerimento do mesmo grupo parlamentar".

Nesta quarta-feira, quando Centeno iniciar a audição pelas 12.00, agora a requerimento do PSD, para falar da próxima cimeira do Euro, da reforma da União Económica e Monetária e sobre os planos orçamentais dos Estados membros para 2019, os centristas terão as orelhas a arder, e o pingue-pongue promete.

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