Marco António considerava "útil" nova liderança do PSD após as europeias

O presidente da Comissão Parlamentar de Defesa anuncia que não pretende renovar o mandato de deputado em outubro e deixa críticas à direção de Rui Rio que foi "inábil" a gerir a crise dos professores.

Cauteloso, em entrevista à Rádio Renascença e Público, Marco António Costa defende indiretamente que Rui Rio deveria ter dado lugar a uma nova liderança no PSD após os maus resultados nas eleições europeias. "Teria sido útil haver um refrescamento do partido, mas é o dr. Rui Rio que está, é ele que quer continuar e, portanto, vamos em frente", diz.

O antigo vice-presidente de Pedro Passos Coelho afirma que é preciso "um golpe de asa" para as próximas eleições que só pode passar pela atitude do líder em prol da "unidade interna" ou por um "programa altamente reformista".

"Teria sido útil haver um refrescamento do partido, mas é o dr. Rui Rio que está, é ele que quer continuar e, portanto, vamos em frente"

Atribui o mau resultado do partido nas eleições europeias à questão dos professores, dossiê que considerou ter sido gerido de forma "inábil" e aos ataques ferozes que o cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, fez ao primeiro-ministro."Uma certa pessoalização de ataques ao primeiro-ministro não seja...as pessoas não gostam, talvez não tenha sido a melhor opção por parte de Paulo Rangel".

Sobre a condução política do PSD, o deputado social-democrata critica ainda o facto de o partido fazer votações "alinhado com a esquerda populista". E dá um exemplo do que Rui Rio não deve fazer: "Sobre os elogios ao SIRESP, espero que tudo corra bem, mas se falhar o sistema, não sei qual é o discurso que o PSD poderá ter a seguir, depois do que disse o líder. "

Desafia Rio a ter intervenções mais regulares no plano público e acima de tudo, "começar a fazer valer os pontos de vista do partido naquela que é a sua visão estratégica para o país e não comentar estritamente as decisões ou meramente as opiniões que o PS e o governo vai lançando para tentar testar a opinião pública".

."Uma certa pessoalização de ataques ao primeiro-ministro não seja...as pessoas não gostam, talvez não tenha sido a melhor opção por parte de Paulo Rangel"

Marco António Costa mostra-se também cauteloso sobre o futuro do partido pós Rio, em caso de um desaire eleitoral. Aos putativos candidatos à liderança deixa elogios, entre os quais Luís Montenegro, Carlos Moedas, Jorge Moreira da Silva e Miguel Pinto Luz. Mas sobre Pedro Duarte garante que "está a contribuir apenas com algumas ideias" e de Miguel Morgado diz que se habituou a vê-lo como pensador ativo e alguém que tem sobre todos os temas uma atitude bastante avaliativa, crítica, e que pondera, todos os assuntos com grande atenção. É uma pessoa que será sempre útil no âmbito de um projeto".

Volta a dizer que Pedro Passos Coelho, "um primeiro-ministro que teve a capacidade de liderar um país em circunstâncias tão difíceis, que o fez com dignidade exemplar, respeitando adversários, construindo uma base sólida entre dois partidos para governar o país e dando a volta por cima", não pode ser "desconsiderado para o futuro".

O presidente da Comissão Parlamentar de Defesa diz que só agora anunciou publicamente a decisão de se afastar da Assembleia da República, onde foi deputado em três mandatos, no final da legislatura porque a questão de Tancos precisava de ser gerida. Mas, frisa, "não saio por estar em conflito com ninguém nem por estar com mal com a vida política nem com a minha vida. Não desejo nem pretendo transmitir uma mensagem de que estou a fazer um afastamento".

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