Marcelo quis mostrar diálogo e apaziguar camionistas antes da manif dos "coletes amarelos"

O Presidente da República saiu do encontro com os Motoristas do Asfalto convencido de que este grupo não iria participar em força na manifestação desta sexta-feira, pelo menos de uma forma radicalizada.

O encontro esteve agendado para setembro, mas teve de ser adiado por questões de agenda de Marcelo Rebelo de Sousa. Tanto foi adiado, que acabou por poder ser feito na altura que mais sentido fazia e que mais frutos poderia dar.

Com um anunciado protesto do movimento dos "coletes amarelos" marcado para esta sexta-feira em Portugal, o Presidente agendou o encontro para terça-feira, precisamente três dias antes das manifestações, que preveem, entre outras ações, o corte de estradas.

Sendo os camionistas uma classe que há muito apresenta várias queixas e que tem o poder de fazer parar um país, Marcelo fez questão de ir ter com o grupo Motoristas do Asfalto, que representam uma minoria dos condutores de camiões TIR a operar em Portugal (cerca de 500 em quase 5 mil).

Uma viagem de camião, um almoço para ouvir as reivindicações dos camionistas e um sinal de que da parte da Presidência há uma predisposição para o diálogo. "Naturalmente que a marcação do encontro para esta altura não foi inocente", disse ao DN fonte da presidência, que adiantou que tanto Marcelo como o staff saíram com a sensação de que este grupo não iria aderir em bloco aos protestos nem tão pouco estariam inclinados para manifestações que levassem a atos extremados. Mas sem garantias.

Em declarações ao Expresso, Fernando Frazão, que lidera o grupo, foi suficientemente vago ao dizer que não está "inclinado" a participar no protesto de sexta-feira, "mas isso não quer dizer que não o apoie". "Há muita gente disposta a participar. Não posso travar ninguém de ir", disse ao semanário.

Aliás, Fernando Frazão acabou por ser alvo de várias críticas na página de Facebook do Motoristas no Asfalto, por parte de camionistas que achavam que não deveria haver nesta altura um encontro deste género. Frazão respondeu, dizendo que "foi um dia em grande" para a associação, descrevendo depois a viagem de 10 quilómetros que fez com Marcelo ao seu lado no camião. "Foquei-me nos nossos principais pontos negros que assombram a nossa profissão. Ser uma profissão de desgaste rápido foi um dos pontos mais abordados", escreveu. Uma das reivindicações dos camionistas é a alteração da idade de reforma, que querem que seja antes dos 65 anos.

E deixou uma mensagem aos críticos: "As pessoas que tentam demover-me, como a este grupo, tenho a responder que o que não nos derruba fortalece-nos, a mim e a esta profissão. Gostaria que as pessoas que apontam um dedo olhassem para os quatro dedos e analisassem onde estão e para que lado apontam. E em vez de criticar ajam, lutem, isso atrás do teclado e fácil, mandem corpo às balas, façam-se ouvir, arranjem ideias e sobretudo façam-se ouvir."

Sobre se Marcelo Rebelo de Sousa ainda terá previstas para antes dos protestos outras ações ligadas a setores que possam aderir em força ao protesto do Movimento dos Coletes Amarelos, a Presidência não tem para já indicação que tal venha a suceder. Mas com Marcelo Rebelo de Sousa, nunca se sabe.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.