Marcelo "preocupado" exige "esclarecimento cabal" sobre roubo de armas em Tancos

Presidente da República emitiu nota em reação à notícia do Expresso deste sábado, segundo a qual "ainda há granadas e explosivos que não foram devolvidos"

"O Presidente da República reafirma, de modo ainda mais incisivo e preocupado, a exigência de esclarecimento cabal do ocorrido com armamento em Tancos", lê-se na nota publicada na página da Internet da Presidência. Uma reação à manchete deste sábado do semanário Expresso: "Ainda há explosivos de Tancos à solta."

Na nota, o presidente, que por inerência é o Chefe Supremo das Forças Armadas, diz ter "a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação. Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização".

Segundo o semanário, "para poder manter sob escuta seis suspeitos do assalto a Tancos, os procuradores do Ministério Público encarregados da investigação revelaram num recurso que, ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa, ainda há granadas e explosivos que não foram devolvidos. O material de guerra pode ser usado em atentados terroristas ou para arrombar portas blindadas, e o MP diz mesmo que a segurança nacional está em perigo enquanto os assaltantes não forem capturados".

As informações fazem parte de um recurso do MP para o Tribunal da relação de Lisboa, datado de março deste ano, em que os procuradores elencam o material que ainda está desaparecido e que podia, por exemplo, fazer descarrilar um comboio ou rebentar a porta de uma carrinha blindada: há ainda 30 cargas de explosivos, três granadas ofensivas, duas granadas de gás lacrimogéneo e um disparador de descompressão desaparecidos, como elenca o Expresso.

Segundo o MP, este material pode ser utilizado "na execução de crimes relacionados com as formas de criminalidade violenta ou mesmo atos terroristas, nomeadamente explosões de ATM, ataques com explosivos a carrinhas de valores ou a execução de atentados terroristas, como tem sucedido recentemente em vários pontos da Europa". Factos que constam de uma nova exposição num segundo acórdão da Relação datado de maio.

O furto de material militar de Tancos -- instalação entretanto desativada em Santarém -- foi detetado a 28 de junho de 2017 durante uma ronda móvel, pelas 16:30, por um sargento e um praça ao serviço do Regimento de Engenharia 1.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

A 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros. Na altura, até o ministro da Defesa declarou que era "extremamente positivo o facto de o conjunto de material de guerra que não tinha sido recuperado ser recuperado"

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado.

Em declarações ao Expresso, fontes próximas de Belém admitem agora que, a confirmarem-se as informações do MP, "estão em causa as instituições responsáveis pela investigação e está em causa a própria investigação".

Com Lusa

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