Marcelo em Angola. "Regresso a uma casa que sinto como minha"

Presidente da República aterrou esta tarde em Luanda para uma visita de Estado de quatro dias. Presidente desvalorizou divergências entre ministros quanto aos incidentes no bairro da Jamaica

Marcelo Rebelo de Sousa aterrou em Luanda e as primeiras palavras do Presidente da República foram de grande otimismo relativamente à visita de Estado de quatro dias a Angola, que terá início oficial amanhã. "Regresso a uma casa que sinto como minha", afirmou o chefe de Estado em conferência de imprensa, no Aeroporto Internacional 4 de fevereiro, na capital angolana.

Para Marcelo, o estado de espírito para esta visita é substancialmente diferente daquele com que chegou a Angola, em setembro de 2017, para a tomada de posse do atual presidente angolano, João Lourenço. "Quando aqui estive, há ano e meio, o meu estado de espírito era de expectativa e de esperança relativamente a um novo ciclo político entre dois povos e Estados irmãos. Volto com outro estado de espírito, de confiança num futuro partilhado", sublinhou o Presidente da República, defendendo que desde então - e "em particular nos últimos seis meses" - essa relação tem-se estreitado, também fruto da visita de António Costa a Angola (que foi "essencial") e da visita de João Lourenço a Portugal (que foi "histórica").

Questionado sobre o alegado pedido de desculpas que Portugal terá feito a Angola, por causa dos incidentes no bairro Jamaica entre moradores angolanos e a polícia, Marcelo evitou pronunciar-se sobre o assunto. "O que neste momento é significativo não são os irritantes do passado nem os insignificantes do presente, são os importantes do futuro", respondeu o Presidente da República que, perante a insistência dos jornalistas, manteve sempre que "os importantes do futuro são as questões concretas da vida das angolanas e dos angolanos, das portuguesas e dos portugueses, desse somatório de entre 200 mil a 300 mil que vivem cruzados nos dois territórios e que têm problemas concretos".

Depoias, Marcelo Rebelo de Sousa quebrou o protocolo e deslocou-se inesperadamente para a bancada 'vip' do carnaval angolano, logo após sair do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda.

Na última segunda-feira, na conferência de imprensa de lançamento da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, disse, a propósito do caso Jamaica, que esteve em contacto com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva: "Teve a hombridade de me ligar, não só para apresentar desculpas, mas também para sublinhar a forma, com sentido de Estado, como as autoridades angolanas reagiram".

Mas, horas depois, num esclarecimento enviado à agência Lusa, Santos Silva não reconheceu o referido pedido de desculpas de Portugal, confirmando apenas que os chefes da diplomacia dos dois países "falaram por telefone", por iniciativa do governo português, "logo após os incidentes do bairro da Jamaica", em 20 de janeiro. E voltaram a abordar o mesmo tema, a 15 de fevereiro, em Luanda, "quer na reunião bilateral, quer na conferência de imprensa conjunta". "Em ambas as ocasiões", diz o chefe da diplomacia portuguesa, a mensagem do Ministério dos Negócios Estrangeiros português "foi sempre a mesma" - passou por "lamentar a ocorrência daquele incidente", por "agradecer a forma como as autoridades angolanas reagiram" e ainda por "comunicar que Portugal manteria Angola informada dos desenvolvimentos e conclusões dos inquéritos em curso".

Marcelo inicia amanhã esta quarta-feira a visita de Estado a Angola, mas chegou um dia mais cedo para participar na festa de anoiversário de João Lourenço, que completa hoje 65 anos. Questionado sobre que prenda vai oferecer ao presidente da República de Angola, Marcelo hesitou: "Não sei se é bonito estar a divulgar antes de dar ao próprio". Mas foi dizendo que "não é um presente, são dois presentes".

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