Marcelo e o silêncio: "Os portugueses percebem-me perfeitamente"

Presidente da República quebra silêncio para reconhecer que foi surpreendido com a crise política.

Foi o mais longo silêncio presidencial. Dez dias depois, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a falar. Se o Presidente da República recusa comentar a crise política que levou o primeiro-ministro a ameaçar demitir-se, acabou por explicar o porquê do silêncio. "Não intervir não significa não se pronunciar."

A crise política desencadeada pela coligação parlamentar dos partidos da direita com PCP e BE, ao aprovarem na Comissão de Educação e Ciência o projeto de lei que previa a reposição integral do tempo de serviço dos professores, apanhou Marcelo Rebelo de Sousa em viagem à China.

Quando regressou, o chefe de Estado manteve-se em silêncio. Agora disse porquê: "Os portugueses percebem-me perfeitamente. Acredito que seria limitadora de uma futura decisão e do meu espaço de liberdade", disse aos jornalistas.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que "o Presidente da República intervém para prevenir crises ou para resolver crises" e que irá receber os partidos políticos. Aproveitou ainda para dizer que não irá falar ao país sobre o tema. "Não me pronunciei nem vou pronunciar agora em período eleitoral."

Questionado se foi surpreendido com a crise política, respondeu: "Claro". E falando na terceira pessoa disse que o PR "quando iniciou a sua viagem para a China não tinha dados" indicativos da tempestade política que assolou o país.

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Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.