Mais de metade das fragatas vão perder capacidade de combate

Prioridade dada à compra de patrulhas oceânicos, navio polivalente logístico e reabastecedor justifica opção de não modernizar fragatas Vasco da Gama.

Os três navios da classe Vasco da Gama perdem a capacidade de combate em teatros de alta intensidade no final desta década.

Essas fragatas "vão ser o parente pobre" dos programas de modernização da Marinha para os próximos anos, assumiu esta segunda-feira uma das fontes ouvidas pelo DN.

Esta informação terá sido um dos temas abordados durante a primeira visita oficial realizada esta segunda-feira à Marinha pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro - que está a par do assunto por ter participado nos trabalhos de revisão da Lei de Programação Militar (LPM).

O porta-voz da Marinha, comandante Pereira da Fonseca, confirmou a informação ao DN, mas sublinhando que os navios vão manter capacidade de combate nas operações mais frequentes e que são de baixa e média intensidade - como a luta contra a pirataria ou de interdição marítima.

Em causa está o não haver dinheiro para tudo, no âmbito da revisão da Lei de Programação Militar (LPM) em curso, obrigando a fazer opções. Contudo, a aquisição de novos patrulhas oceânicos, do navio reabastecedor e de um navio polivalente logístico deverá ser feita a estaleiros portugueses e a própria compra de equipamentos, na máxima extensão possível, ​​​​à indústria nacional.

As três fragatas da classe Vasco da Gama - ou MEKO 200 - foram construídas no início dos anos 1990 pelos estaleiros alemães de Kiel e uma das suas grandes mais-valias operacionais, a par do salto tecnológico que deu à Marinha, assentou na existência de helicópteros a bordo.

O primeiro dos navios a entrar ao serviço da Marinha - e que deu o nome a essa classe de escoltas oceânicos - foi a Vasco da Gama, em janeiro de 1991. Quatro meses depois foi adicionada ao efetivo naval a Álvares Cabral e, em novembro do mesmo ano, chegou a Corte Real.

Com um cumprimento de 115,9 metros e uma boca máxima (largura) de 14,2 metros, esses navios têm capacidade para deslocar 3200 toneladas - e uma das suas primeiras missões foi precisamente num cenário de alta intensidade ao serviço da NATO: o Adriático, em 1995 e no quadro das guerras balcânicas.

Modernização

A capacidade da Marinha para intervir em ambientes de alta intensidade vai assim ficar limitada aos dois navios da classe Bartolomeu Dias, construídos também no início dos anos 1990 mas em estaleiros holandeses.

As duas fragatas foram adquiridas em segunda mão à Holanda, onde eram designadas como Karel Doorman: a Bartolomeu Dias chegou em 2009 e a D.Francisco de Almeida um ano depois, em janeiro 2010.

A primeira está precisamente a modernizar os seus sistemas de combate (radares, armamento, mísseis) e vai mesmo receber um mastro novo, processo a que vai ser sujeita a D. Francisco de Almeida no próximo ano - alargando a sua vida útil operacional por mais de duas décadas.

Quanto às da classe Vasco da Gama, a sua modernização - já iniciada - vai limitar-se aos sistemas da plataforma, através da qual é feito o controlo da propulsão (motores e turbinas), das avarias, da produção e distribuição de energia, ar condicionado e água ou das bombas de combustível e de lemes, entre outros meios auxiliares de funcionamento dos navios.

Essa atualização também permitirá prolongar a vida útil das Vasco da Gama por cerca de duas décadas para as referidas operações de baixa e média intensidade, adiantaram as fontes.

Note-se que a revisão da LPM inclui também os helicópteros Lynx, com novas motorizações e sonares a par da modernização do cockpit.

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