José Sócrates responde a Moro: "Não, nunca cometi nenhum crime nem fui condenado"

Num texto enviado ao Diário de Notícias, José Sócrates responde a Sérgio Moro, ministro da Justiça brasileira e antigo juiz do caso Lava-Jato. "Não, nunca cometi nenhum crime nem fui condenado por nenhum crime. Não posso aceitar ser condenado sem julgamento", diz

Primeiro atacou José Sócrates, chocado com a presença de Sérgio Moro no Fórum Jurídico de Lisboa. "Um ativista político disfarçado de juíz", disse em entrevista à TVI 24. Depois, em entrevista à TV Record, foi a vez de Moro atacar, recusando responder ao ex-primeiro-ministro. "Em relação à pessoa em particular, eu não debato com criminosos pela televisão. Então, não vou fazer mais comentários", disse.

"Há no entanto, em todo este episódio, um mérito: as palavras produzidas confirmam o que já se sabia do personagem- como juiz, indigno; como político, medíocre; como pessoa, lamentável".

Agora, numa declaração escrita enviada ao Diário de Notícias, Sócrates responde. "Impossível ler a declaração do Ministro da Justiça brasileiro sem um esgar de repugnância. Ela põe em causa os princípios básicos do direito e da decência democrática. Não, nunca cometi nenhum crime nem fui condenado por nenhum crime. Não posso aceitar ser condenado sem julgamento, muito menos por autoridades brasileiras", diz.

O antigo primeiro-ministro vai mais longe, atacando o governo de Jair Bolsonaro onde Moro é responsável pela pasta da justiça. "Na Europa conhecemos bem o ovo da serpente. Conhecemos o significado das palavras de agressão, de insulto e de violência política. Conhecemos o significado dos discursos governamentais que celebram golpes militares, defendem a tortura e recomendam o banimento dos adversários políticos. E até conhecemos o significado do silêncio daqueles que assistem a tudo isto como se nada fosse com eles", diz. No final, deixa o último ataque a Sério Moro: "Há no entanto, em todo este episódio, um mérito: as palavras produzidas confirmam o que já se sabia do personagem- como juiz, indigno; como político, medíocre; como pessoa, lamentável".

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.