Entre idosos do Alentejo, Mota Soares "jogou em casa"

Luís Pedro Mota Soares, número dois da lista do CDS e ex-ministro da Solidariedade Social, continua um especialista a fazer campanha em IPSS. Desta vez foi em Portalegre. Nuno Melo já não está tão à vontade.

O cheiro a torradas denunciava que a hora era de pequeno-almoço na Casa da Terceira Idade das Carreiras, em plena serra de São Mamede. Portalegre está a escassos dez quilómetros, mas na rua do Cigano, que rasga a encosta, respira-se campo perante a tremenda paisagem verdejante a perder de vista. "Aqui não há internet", ia avisando Tiago Abreu, o presidente da distrital do CDS e um dos seis elementos da comitiva que aguardavam por Nuno Melo. Dois deles sinalizavam o momento de campanha pura e dura à boleia de outras tantas bandeiras do partido, numa região onde o CDS continua a carecer de representatividade.

A agenda marcava encontro às 09.00, mas o candidato chegou 20 minutos depois. Bem-disposto e sorridente, juntou-se ao seu número dois, Pedro Mota Soares, que o CDS acredita poder eleger a 26 de maio. E foi o segundo nome da lista centrista que instantes depois iria estar como "peixe na água" entre os idosos do lar alentejano.

Afinal, foi ele quem inaugurou a casa em 2015, enquanto ministro da Solidariedade, Trabalho e segurança, travou conhecimentos à época e a sua entrada no refeitório não passou despercebida a alguns dos utentes. Que o diga Jacinta Azeitona, de 87 anos, que recebeu um beijo e uma tremenda festa no rosto do candidato, enquanto se preparada para comer uma carcaça, acompanhada a café com leite.

"Quando o lar foi inaugurado, eu ainda fazia a minha vida lá fora, mas vim assistir à festa. Conheci este senhor e tenho-o visto muitas vezes na televisão. Foi muito simpático quando aqui veio e será sempre bem-vindo", resumia a idosa, enquanto Mota Soares se colocava de cócoras junto a outra utente que também o reconheceu entre a comitiva centrista.

"Agora é que estou a ver quem ele é", admitia, garantindo estar por fora das eleições que batem à porta. "Tenho visto coisas sobre isso na televisão, mas nunca fui de ligar à política. Gosto é que estas pessoas cá venham", comentava uma das 41 residentes desta IPSS.

O presidente da Direção, Alfredo Nunes, aproveitava a visita e queixava-se da falta de condições - ao nível de equipamentos e recursos humanos - para assegurar novas e mais respostas ao envelhecimento da população de Carreiras, com cerca de 600 habitantes, onde muitas pessoas estão a ultrapassar os 90 anos. "Isto são vantagens de se viver no Alentejo, mas é para quem tem saúde. Estamos a falar de pessoas que começam a viver mais, mas com menos qualidade de vida se não tiverem quem trate delas", alertava o dirigente.

Já Nuno Melo demonstrava não estar tão à vontade na comunicação com os idosos, mas fazia o que podia, perante duas situações mais complexas de utentes pouco ligadas ao mundo. "É uma pequena visita, só para conversarmos um bocadinho. Está bom o leitinho? A senhora está constipada", registava o candidato sem receber resposta, para além de um resignado encolher de ombros da auxiliar.

Mas o objetivo estava lá. "Temos um compromisso com o Interior e isto equivale ao mundo rural e a uma nova realidade muito premente na área social, com o envelhecimento da população e o abandono dos jovens", disse, revelando que se Mota Soares foi eleito ficará com pasta da área social, "a mais relevante a seguir à Política Agrícola Comum", sublinhava.

Mecanismo europeu contra fogos em Portugal

Nuno Melo aproveitou a passagem por Portalegre, um dos distritos que continua a aguardar por dois meios aéreos de combate aos fogos, para revelar que o partido propôs na Comissão Europeia a instalação na Península Ibérica - preferencialmente em Portugal - e na Grécia de meios técnicos e humanos contra incêndios, inseridos no Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

"Independentemente da sede do serviço ficar em Bruxelas, o que faz sentido por estar no centro do poder político, a capacitação técnica e humana deve ficar alocada junto dos territórios mais flagelados", sublinhou o candidato, garantindo ser esta a forma de garantir um ataque rápido às catástrofes em zonas de maior risco, com as grandes áreas florestais. Para Nuno Melo, os trágicos incêndios de 2017 "poderiam ter menos impacto se tivéssemos este mecanismo europeu mais próximo". A proposta é alargada a Itália, levado em conta a ocorrência de sismos, e a França, devido às inundações.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.