Berardo ao jantar na campanha. À direita, para lembrar Sócrates, no PCP para atacar banca

O riso do empresário no Parlamento foi o mote para PSD e CDS atacarem a herança socrática e, por arrasto, o PS de António Costa. Comunistas recordam "milhares de milhões para a banca e seus negócios obscuros".

Joe Berardo chegou esta segunda-feira à noite à campanha, depois de ter ido ao Parlamento português rir-se de uns e outros. À direita, o empresário madeirense foi colado a José Sócrates, para melhor atacar os socialistas, à esquerda, Jeróni mo de Sousa atacou os "milhares de milhões para a banca e seus negócios obscuros".

Após o Presidente da República e o primeiro-ministro terem comentado a prestação do comendador na comissão parlamentar de inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos, o assunto entrou na campanha. Paulo Rangel, cabeça-de-lista do PSD, defendeu que personalidades como Joe Berardo existiram em Portugal "para que a Caixa Geral de Depósitos assaltasse o BCP, e a Caixa e o BCP ficassem nas mãos de gente próxima do governo socialista de José Sócrates".

"É que Berardo não caiu do céu, Joe Berardo não é uma invenção de si próprio. É uma invenção de uma conjuntura político-económica em que havia um governo que queria controlar a banca e o usou a ele", acusou o social-democrata, citado pela Lusa. E insistiu: "Agora dizem que é um produto tóxico, mas quando foi instrumental para tomar conta do BCP, o produto não era tóxico. Estava muito bem e nessa altura estavam ministros que ainda hoje estão no Governo de António Costa", acrescentou.

Também Jerónimo de Sousa apontou-o como um mau exemplo, num jantar de campanha eleitoral europeia, que juntou mais de 400 apoiantes da CDU nos dois salões da Casa do Alentejo em Lisboa. "Camaradas, veja-se esse escândalo do Berardo e da sua desfaçatez, que mais não é do que a ponta do icebergue que esconde esse problema maior que mina a sociedade portuguesa e tem origem na promiscuidade entre poder político e poder económico, com o que significa de lastro para a corrupção e justificação para drenar milhares de milhões para a banca e seus negócios obscuros", apontou o secretário-geral do PCP.

"Ouvimos muito falar em transparência. Andam aí a duvidar dos políticos e dos partidos. Se esses senhores da transparência estão tão empenhados, procurem aprofundar estes mecanismos, este negócio de milhares de milhões que são roubados ao nosso país e a outros, e travar esta corrupção e confusão entre poder político e poder económico. Querem transparência, combate à fraude e evasão fiscais, então vão lá ao sítio saber como isso se contraria, como se vence", afirmou.

Nuno Melo, do CDS, também foi ao nome de José Sócrates para melhor atacar os socialistas, por interposto Berardo, descrito pela Lusa como o "convidado" ausente do jantar de campanha europeia centrista. O eurodeputado leu várias frases de Berardo sobre Sócrates, de 2007, como: "Portugal precisa de um primeiro-ministro como José Sócrates para dar uma reviravolta ao país" ou "Sócrates tentou fazer alguma coisa pelo país, mas foi crucificado". "Que diríamos nós que pagamos 350 milhões de dívida enquanto Joe Berardo no Parlamento, sorri, [e] diz que não deve nada a ninguém", atacou Nuno Melo.

A deputada Cecília Meireles pegaria na deixa para garantir que, "na origem dos problemas da banca e dos bancos lá encontramos a herança do ex-primeiro-ministro José Sócrates", acrescentando que os "créditos mais problemáticos" para a Caixa foram feitos nos anos em que o governo era chefiado por Sócrates. E se a coleção Berardo está hoje exposta no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, deve-se a "um protocolo com o Estado", assinado nos tempos de governo do PS. "Lá encontramos José Sócrates", afirmou.

Lembrando que esse protocolo foi renovado pelo executivo de António Costa, Cecília Meireles prometeu que o CDS, agora, vai continuar a fazer perguntas para que o Governo diga se conhecia que as obras da Coleção Berardo "tinham sido usadas para ludibriar os bancos".

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.