Aliança. "Portugal não pode continuar subjugado pela frente de esquerda"

Santana Lopes apostou em dois jovens, numa advogada e num professor de ciência política, para apresentar a sua moção de estratégia no congresso fundador da Aliança. Uma moção contra o "governo de frente de esquerda" com 10 prioridades.

Bruno Ferreira Costa e Ana Pedrosa Augusto, um professor de ciência política e uma advogada, dois jovens que Pedro Santana Lopes lança neste congresso fundador da Aliança, a decorrer este sábado no Arena d'Évora. Foram eles que apresentaram em conjunto a moção de estratégia do líder do novo partido. "Portugal não pode continuar subjugado pela frente de esquerda", disse Bruno Ferreira Costa. A que Ana Pedrosa juntou a garantia, sob palmas calorosas, que o objetivo da Aliança é criar, após as legislativa, uma"frente de centro-direita" com as forças democráticas e moderadas.

O professor da Universidade da Beira Interior frisou que a Aliança concorrerá com listas próprias aos três atos eleitorais deste ano - europeias, regionais da Madeira e legislativas - para conhecer o seu peso eleitoral e apresentar as suas propostas. Mas o objetivo, que já tinha verbalizado em entrevista ao DN, é o de conseguir ser parte de uma maioria de 116 deputados, com o PSD e CDS, para "se for caso disso em coligação" formar outro governo.

Bruno Ferreira Costa garantiu aos 600 congressistas que o partido escolheu o melhor cabeça de lista às eleições para o Parlamento Europeu, Paulo Sande. E respondendo às críticas de que o candidato seria demasiado seguidista dos ditames europeus afirmou: "Não procurem criar divisões no discurso, na atitude, seremos uma nova voz de exigência na Europa".

Bruno e Ana, alternadamente, apresentaram as bases ideológicas da Aliança espelhadas em dez prioridades da moção de estratégia de Santana Lopes. A primeira do crescimento económico e a competitividade. "O governo falhou redondamente, devíamos estar a crescer acima os 3%. Portugal não pode continuar a divergir da Europa", disse o também membro da comissão instaladora da Aliança, que deverá integrar os órgãos nacionais que serão aprovados no domingo.

Outra prioridade do novo partido é baixar impostos. "Não podemos continuar asfixiados. Devemos considerar todas as despesas do agregado familiar. Um Estado eficiente não pode viver à custa das famílias", disse Ana Pedrosa Augusto. A que acrescentou a criação de um ambiente favorável às empresas, com diminuição do IRC.

Mas a maior aposta é no Serviço Nacional de Saúde, acabando com o debate estéril entre serviço público e privado. "O que queremos é proteger as pessoas", afirmou a advogada. E defendê-las também num "combate sem tréguas" contra a corrupção. "Ética é a palavra essencial", disse Ana e conseguiu uma salva de palmas.

A Aliança é também contra a manuais gratuitos e o fim das propinas para todos os estudantes. "Somos pelo Estado-social que ajuda os que não podem", garantiu Ana Pedrosa Augusto.

O militante da Madeira que protestou por não conseguir apresentar uma moção de estratégia global - quando só estava previsto ser debatida a do presidente do partido - acabou mesmo por subir à tribuna para a defender. E deu um conselho ao partido. "Se usamos as formas antigas de fazer política estamos apenas a discutir os dois milhões de votos com os outros dois partidos (PSD e CDS)". É preciso agir "fora da caixa" para chegar aos abstencionistas e aos que votam em branco, defendeu.

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