Assunção Cristas admite coligação alargada no centro-direita

"Que no dia seguinte às eleições possamos estar todos a conversar no espaço político de centro-direita" foi o voto deixado pela líder do CDS no encerramento da convenção do Movimento Europa e Liberdade

Assunção Cristas deixou esta sexta-feira a porta aberta a uma coligação alargada no espaço de centro-direita, após as próximas legislativas, defendendo que o objetivo passa por conseguir eleger 116 deputados - ou seja, a maioria dos assentos no parlamento - neste espaço político. Essa maioria "pode acontecer pelo somatório de dois partidos, de três, de quatro" - isso é uma resposta que "cabe ao eleitorado" dar, afirmou a líder do CDS, que falava na sessão de encerramento da 1ª Convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL).

A presidente dos centristas garante que o CDS tudo fará para contribuir "o máximo possível" para essa maioria, e assegura "toda a disponibilidade para dialogar, para trabalhar para chegar à maioria de 116 deputados" no espaço político do centro-direita. Sem concessões ao PS. "Somos o único partido que diz, com uma clareza cristalina, que o voto no CDS não vai parar às mãos de António Costa", sublinha Cristas, apontando como outro cenário possível um "entendimento ao centro, se o PSD se entender com António Costa".

Uma hipótese em que o CDS, diz a líder do partido, ocupará o seu lugar na oposição - não há acordo possível com os socialistas. Com os olhos postos nas eleições de outubro, Assunção Cristas defendeu que o "país merece ter uma solução que não seja de esquerda, com partidos populistas de esquerda a apoiar o governo".

A líder dos democratas-cristãos falava depois de... Paulo Portas. O ex-líder dos democratas-cristãos marcou presença na Culturgest como orador de um painel dedicado às "Novas Realidades Europeias e Mundiais". Um debate em que se falou do crescimentos dos populismos, com Portas a questionar qual a atitude que as democracias devem assumir face a movimentos populistas: "Um cordão sanitário ou pô-los à prova?". "Acho que é talvez mais eficiente pô-los à prova", sustentou o ex-vice-primeiro-ministro, defendendo que forças que se aproximam dos 20% do voto do eleitorado não podem ser ignoradas.

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