Portugueses na Europa. "Gregos perceberam que a Europa tem mais poder do que pensavam"

Como é que a Europa é vista no país onde vive? É a pergunta do DN aos portugueses que vivem em diferentes países da UE.

Rui Monteiro Mascarenhas, 40 anos, economista, é diretor de unidade de negócio numa farmacêutica multinacional. Vive em Atenas faz um ano em setembro com a mulher Rute e duas filhas, Antes viveram em Zurique. Sobre os dois países resume: "Na Grécia, os vizinhos não falam a minha língua, nem inglês, mas vêm dar-me limões. Na Suíça, os vizinhos vão queixar-se ao senhorio do barulho".

Os gregos têm uma relação de amor-ódio com a Europa. Mas, agora que foram intervencionados e num processo do qual não vão sair tão depressa, perceberam que a Europa tem mais poder do que pensavam. Estão mais atentos às eleições europeias e em escolher bem quem os vai representar, até porque sabem que os deputados europeus ganham muito bem em comparação com os salários gregos.

As eleições europeias na Grécia não são muito diferente de Portugal no que diz respeito à abstenção, que seria alta se fossem só as europeias. Aqui fazem uma coisa inteligente: juntam as eleições europeias e autárquicas (câmara, freguesia e conselho local). As pessoas ligam muito ao poder local e, como ambas as eleições são no mesmo dia, prevejo uma taxa de abstenção mais baixa. Por outro lado, está a acontecer na Grécia o mesmo que em toda a Europa. Os partidos de extrema-direita e de extrema-esquerda estão a ganhar votos e as pessoas dos partidos mais moderados vão votar para evitar essa situação.

Desta vez, como as eleições europeias são muito próximas das legislativas (em outubro), é como se fosse uma pré eleição legislativa, para tentar perceber para que lado cai o dominó: se para o Syriza (primeiro ministro) ou se para a Nova Democracia. E, este ano, pela primeira vez, as pessoas com 17 anos podem votar.

O que fazem aqui e não me lembro de ter visto em Portugal, é que alguns candidatos às europeias são figuras públicas que trazem muitos votos, como futebolistas e modelos.

Outra novidade, é que as eleições são no domingo e as pessoas têm a sexta e segunda-feira, uma vez que a maioria da população está deslocada das suas terras e muita gente prefere votar onde nasceu. As distâncias na Grécia são grandes e as viagens para as ilhas são caras.

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