Distrital de Lisboa do PSD disputada no sábado entre Ângelo Pereira e Sofia Vala Rocha

A distrital de Lisboa do PSD vai a votos no sábado, com dois candidatos assumidos, o atual vice da estrutura, Ângelo Pereira, e Sofia Vala Rocha, vereadora em regime de substituição na câmara de Lisboa.

Em declarações à Lusa, Sofia Vala Rocha acusou o seu adversário de estar "completamente engajado a uma fação que vai disputar as eleições nacionais", a de Miguel Pinto Luz, assegurando que, se vencer, a distrital de Lisboa não irá apoiar qualquer candidato às diretas de janeiro.

A Lusa tentou contactar o candidato Ângelo Pereira, mas o seu assessor remeteu quaisquer declarações para depois da eleição, nomeadamente sobre qual o posicionamento que proporá para a distrital na eleição nacional de janeiro se vencer, sendo público o seu apoio a Pinto Luz.

Na carta com que se apresentou aos militantes do distrito de Lisboa, o vereador da Câmara de Oeiras começa por recordar as legislativas de 06 de outubro, considerando que o PSD "ficou muito aquém do desejável".

"Para sermos honestos, perdemos. E não há que ter medo de avaliar os acontecimentos como eles são", defende o candidato, que tem como mandatário o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras.

Para a distrital, o candidato diz ter um "único objetivo": "concentrar esforços, congregar as diferentes sensibilidades, reconciliar os militantes com o partido e reunir a todos no combate ao verdadeiro adversário - o PS".

Na carta, Ângelo Pereira recorda que foi vice-presidente da distrital quer com Pinto Luz quer com Pedro Pinto e estabelece como meta "vencer as próximas eleições autárquicas e voltar a gerir os destinos da capital".

No ano passado, o gabinete de Ângelo Pereira na Câmara de Oeiras foi alvo de buscas no âmbito da Operação Tutti Frutti, que investiga suspeitas de favorecimento de militantes do partido em adjudicações diretas, sem ter sido constituído arguido.

Em declarações à Lusa, a outra candidata, Sofia Vala Rocha justifica a sua decisão com os dez anos de trabalho autárquico na capital, onda já foi deputada municipal.

Inicialmente, previa candidatar-se à concelhia de Lisboa, mas refere que o avanço de Ângelo Pereira lhe motivou um sentimento de "espanto e recusa" que a fez avançar para a disputa da distrital.

"É uma candidatura toda errada. É errada politicamente porque é uma candidatura de fação: o candidato Ângelo Pereira está completamente engajado a uma fação que vai disputar as eleições nacionais, a de Miguel Pinto Luz", critica, considerando que esta posição deixa os militantes do distrito de Lisboa que apoiam outros candidatos sem representação.

Por isso, garante que, se for eleita, a distrital de Lisboa não tomará posição na disputa nacional entre Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.

"O que tenho de assegurar é que a distrital trabalhe com o futuro líder eleito para defender os interesses do distrito. Oponho-me a que seja um joguete na disputa da liderança", apontou.

Sofia Vala Rocha acusou ainda a candidatura de Ângelo Pereira de ser feita apenas das pessoas "do aparelho" atual do partido, sem procurar nem renovação ou abertura à sociedade civil, nem ter em consideração antigos quadros que se afastaram.

Por fim, lembra que o seu opositor foi candidato nas últimas autárquicas em Oeiras e ficou em quarto lugar, com 8% dos votos, e depois aceitou um lugar no executivo liderado por Isaltino Morais.

"Como é que é este candidato que teve 8% e foi muleta de executivo de outro partido consegue impor uma estratégia vencedora?", questiona.

A candidata assegura que, se vencer, o processo autárquico arrancará no primeiro trimestre do próximo ano, considerando que nos últimos ciclos os candidatos foram para o terreno "muito tarde".

Como objetivos, aponta recuperar as autarquias de Lisboa, Oeiras e Sintra, lamentando que atualmente o PSD só detenha duas das dez câmaras do distrito, Mafra e Cascais.

Para a capital, defende um candidato "que já tenha trabalho autárquico", seja especialista em habitação ou mobilidades - os dois principais problemas que identifica na cidade - e tenha "uma atitude ética irrepreensível".

Entre os principais apoios, Sofia Vala Rocha, conta com o antigo ministro Rui Gomes da Silva, candidato à mesa da Assembleia Distrital, o ex-secretário de Estado e seu marido Luís Pais Antunes, candidato à Jurisdição, e históricos como o antigo vereador Vítor Gonçalves e Conceição Monteiro, militante número dois do PSD e primeira subscritora da Lista.

Há dois anos, pouco mais de 3.500 militantes do PSD (num universo então de vinte mil militantes com quotas em dia) escolheram Pedro Pinto como líder da distrital de Lisboa com 77,8% dos votos, numa candidatura sem oposição, que conseguiu 2.769 votos favoráveis, 721 brancos e 69 nulos.

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