Creches, pequeno comércio, cultura: o que pode reabrir em maio

Primeiro-ministro aponta para o próximo mês a reabertura gradual do pequeno comércio, possivelmente das creches, e de equipamentos culturais, tudo sujeito a normas de distanciamento social. Para que isso aconteça, as próximas duas semanas são decisivas.

"Espero que esta seja a última vez que estejamos aqui a debater o estado de emergência. Esperemos que seja a última vez". Foi com estas palavras que António Costa rematou esta tarde o debate parlamentar que determinou a prorrogação, por mais 15 dias, do estado de emergência no país.

Numa intervenção já virada para o futuro, o primeiro-ministro defendeu que as próximas duas semanas serão decisivas para que, no mês de maio, possam ser retomadas algumas atividades. Para isso é preciso devolver a confiança aos portugueses e um elemento essencial passa pela massificação da oferta de máscaras e gel de proteção - Costa garante que estão a ser criadas as condições para que isso aconteça.

"Não podemos viver num estado de emergência permanente", sublinhou o líder do executivo, acrescentando que "maio será o mês para recomeçar de forma gradual a capacidade de viver em maior normalidade".

E isso passa pela reabertura do pequeno comércio de bairro - o primeiro-ministro referiu explicitamente a restauração, cabeleireiros e barbearias -, mas também pela possível reabertura das creches. Já quanto ao pré-escolar, o primeiro-ministro manifestou esperança que as crianças possam ainda fazer o período de praia/campo (habitualmente feito na segunda quinzena de junho ou na primeira de julho): "Gostaria muito que as crianças do pré-escolar pudessem voltar a conviver, porque é importante que convivam sem estarem confinadas no seu espaço familiar".

Costa disse esperar que os alunos do pré-escolar possam fazer o período praia/campo, que costuma seguir-se ao fim do ano letivo

Costa falou também na reabertura de equipamentos culturais com lugares marcados e lotação fixa, porque "a cultura não pode continuar encerrada à espera de melhores dias" - mas sempre salientando que todos os estabelecimentos que poderão ser reabertos terão de se sujeitar a normas especiais de higienização e distanciamento social.

Um outro setor mereceu uma referência específica no discurso feito no Parlamento - o turismo. O líder do executivo voltou a insistir que os portugueses devem fazer férias no verão, "mas cá dentro", Até porque as limitações na circulação de e para fora de Portugal se irão manter.

Viver em "maior normalidade", em paralelo com a garantia de que a pandemia se "mantém controlada" é o objetivo, e para isso as empresas devem reorganizar horários, com alguns funcionários a trabalhar de manhã e outros à tarde, ou em semanas alternadas, por exemplo, também como forma de evitar picos de afluência aos transportes públicos. Costa diz que o teletrabalho deve continuar a ser a regra, mas que também é importante ir retirando as pessoas do confinamento doméstico, até por questões de saúde mental.

Administração Pública também deve "restabelecer o atendimento presencial" em alguns serviços

O primeiro-ministro disse ainda que a Administração Pública deve dar o exemplo, pelo que deverá também começar a "restabelecer o atendimento presencial" em alguns serviços.

PSD propõe máscaras e gel desinfetante com IVA a 6%

Na votação daquela que é a segunda prorrogação do estado de emergência - que fica agora em vigor até 2 de maio - ganharam peso os votos contra, caso da bancada comunista, que nas duas anteriores votações se tinha abstido. Joacine Katar Moreira também votou contra, ao lado de João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal (o único voto contrário registado há duas semanas).

PS, PSD, BE, CDS e PAN votaram a favor, enquanto o PEV e André Ventura se abstiveram.

Durante a sessão parlamentar, o presidente do PSD, Rui Rio, desafiou o Governo a baixar de imediato a taxa de IVA das máscaras e do gel desinfetante dos atuais 23& para os 6%. E o mesmo com os suplementos alimentares que reconhecidamente fortaleçam o sistema imunitário, o que se pode revelar particularmente importante no inverno - altura em que, antecipa Rui Rio, é de de esperar uma segunda onda da pandemia.

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